quinta-feira, 12 de abril de 2012

Robôs na Medicina: O Quanto É Próxima a Fronteira?


Enquanto isso na sala de cirurgia:
- Como vocês podem ver, eu operei com instrumentos que atravessaram os tecidos por via da 4a. dimensão! Observem como esta cápsula curativa, em contato com o fórceps, também ajusta sua forma a quarta dimensionalidade...
(Adventure Comics, n. 303/1960)

Uma das fronteiras descritas pela ficção científica, na literatura e no cinema, são os robôs. É um mito que remete tanto a superação da queda no Gênesis, quanto ao esforço humano em superar-se rumo à imortalidade.
Em que pese estejamos distantes do pesadelo científico, narrado em Blade Runner (Caçador de Andróides), o uso dessas tecnologias em Medicina tem alcançado significativos avanços, especialmente em cirurgia.
Cabe porém salientar que o futuro da medicina robótica ( mais um campo de especialidade médica!) tem ainda um longo caminho à frente, que será pavimentado com base na aceitabilidade dos custos, na eficiência do treinamento de pessoal a ser especializado e na comprovação de que os resultados obtidos com o seu uso sejam, em termos de segurança e eficácia, superiores aos métodos convencionais. 
Na linha desse debate, e como introdutório a um tema que de rotina é explorado apenas como curiosidadade nas páginas de divulgação científica, recomendo o artigo de revisão Robotic Surgery (Cirurgia Robótica), publicado no BJOG An International Journal of Obstetric and Ginecology.

domingo, 8 de abril de 2012

Cinemateca Paraense

Nesse fim de noite, por recomendação de minha esposa, fui à Cinemateca Paraense e fiquei de queixo caído. O que alí vi foi cinema e antropologia amazônica na sua expressão melhor. Também nessa oportunidade atualizei meu conhecimento na obra do meu amigo Luiz Arnaldo Campos, carioca, mas paraensíssimo com honra e glória sagradas nas águas da Baía do Guajará.
Acessem por aqui, que lhes garanto que vale.

Reflexões sobre Ciência: As Breves Notas de Gonçalo M. Tavares

Eiffel Tower
Detalhe da Torre Eiffel

Vive a literatura de Angola uma espécie de ressurgimento entre nós, por muito que tem se falado dela na crítica especializada, nas editoras e em algumas universidades brasileiras que a tem como linha de pesquisa. Todavia conheci-a ainda adolescente, nos anos 70, por meio dos poemas de Agostinho Neto, ao tempo em que nessa ex-colônia portuguesa se travavam as guerras sangrentas de independência. Hoje, autores como Ondjaki, Pepetela e  Agualusa são encontrados com facilidade, nas estantes das livrarias brasileiras.
Gonçalo M. Tavares nasceu nos anos 70 em Luanda (Angola) e publicou seu primeiro livro em 2001, a que deu o título de Livro da Dança. Detentor dos mais importantes prêmios literários em língua portuguesa, tendo sido distinguido com o Portugal Telecom 2007, o Prêmio José Saramago 2005 e o Prêmio Ler/Millenium BCP 2004, é autor de mais de 30 obras de variada forma - romance, teatro, poesia, etc -, cujas qualidades levaram a influenciar projetos em campos alheios à literatura, em arquitetura e vídeo por exemplo.
Os poemas aqui transcritos são do livro Breves Notas, publicação da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina e Editora Casa. A obra foi editada em três volumes (Breves Notas sobre Ciência, Breves Notas sobre o Medo e Breves Notas sobre as Ligações), a partir da reunião dos textos com base na individualização da temática abordada.  
As notas representam reflexões filosóficas do autor sobre a ciência e o medo, embora as Breves Notas sobre as Ligações se refiram a duas escritoras portuguesas e a outra de nacionalidade espanhola, cujas leituras exigem de nós uma resposta, um movimento paralelo, uma deslocação, conforme se lê na primeva advertência que antecede ao texto propriamente dito.
A seguir transcrevo algumas daquelas anotações que fazem referência à ciência, escritas sob a inspiração das palavras de Nietzsche; no preâmbulo a nos dizer: "Com vista à construção dos conceitos, trabalha-se originariamente, como vimos, a linguagem, e mais tarde a ciência".
 
O perigo

Claro que o perigo é a origem dos métodos científicos mais eficazes.
Se o Homem fosse imortal ainda não teria invetado a roda [poderias dizer].

A abstração

A abstracção é útil na ciência se deixares, como no conto infantil, migalhas de pão para identificar o caminho de volta. Porém, por vezes, és tu mesmo que distraído, ou por apetite, devoras a própria possibilidade de regresso. E além, perdido, ficas: nas idéias esplêndidas.
[Quanto mais caminhas mais apetite tens, e o teu percurso é em círculos. Se com fome vês a tua frente uma migalha de pão, que fazes?
Eis o cientista perdido na floresta.]

Ferramentas e aprendizagem

- Com estas ferramentas que problemas posso resolver?
[Esta é a pergunta tonta.]
-  Com estes problemas que ferramentas preciso?
[Esta pergunta é melhor]
- Com estes problemas que ferramentas tenho de aprender a utilizar?
[Esta pergunta ainda é melhor: pressupõe vontade e um plano de ação.

O esforço e o voo

A ciência parte sempre do princípio de que tem o mapa certo. E, assim, acredita que é só procurar.
Julga que lhe basta o esforço, o suor.
[E, afinal, muitas vezes não deve escavar, mas voar - algo que lhe é fisicamente impossível.]

Uma incompetência

Aprende pois a utilizar metáforas, caro cientista. Não sejas incompetente.

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A trilogia de Breves Notas pode ser adquirida por solicitação na página eletrônica da Editora UFSC

sábado, 7 de abril de 2012

Envelhecer É Preciso, Adoecer Não É Preciso

Hoje, 7 de abril, é o Dia Mundial da Saúde. A data coincide com o estabelecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), dois anos seguidos ao término da II Guerra Mundial. 
Neste ano a mobilização no Dia Mundial da Saúde, com o lema A Boa Saúde Faz Ganhar Anos de Vida, será conduzida para sensibilizar os governos para a construção de políticas públicas que garantam o  envelhecimento saudável de suas populações. 
O Brasil, que já iniciou sua transição demográfica em direção ao envelhecimento da população, e a qual soma-se a queda de fecundidade, tem dado atenção ao assunto. Conforme destacou Helvécio Magalhães Júnior, titular da Secretaria de Atenção à Saúde (Ministério da Saúde), a população brasileira está vivendo mais, porém é preciso viver melhor.

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Acesse os links relacionados com os temas  Dia Mundial da Saúde e Envelhecimento (1, 2) e O Brasil e a Transição Demográfica (3).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Linhas e Horizontes de uma Sexta-Feira Santa

Luminosa manhã
Para que tanta luz?
Dá-me um pouco de céu
Mas não tanto azul
Dá-me um pouco de festa não esta
Que é demais pra os meus anseios 

(Luiz Bonfá: Canção da Manhã Feliz)

Brasília, capital da federação brasileira, é uma cidade projetada por Oscar Niemayer e Lúcio Costa.  os princípios modernistas da sua fundação, há cincoenta anos atrás, são hoje desafiados por um conjunto de problemas: como ter superado em quase 5 vezes a projeção de contar com  população de 600 mil habitantes nos princípios do século XXI.
Mas eu sou um grande admirador dos horizontes de Brasília,  emoldurados por seus belíssimos céus de nascente a poente, pelas linhas geométricas que dão corpo aos seus monumentos, traçados e edifícios oficiais, que fazem com que a cidade tenha sempre uma perspectiva que o olhar do transeunte seduz.
Na manhã dessa Sexta-Feira da Paixão, tive uma experiência dessas. Eu saí para encontrar quem me vendesse uns temperos, mas os super-mercados estavam fechados por conta do feriado nacional. Encontrei então uma quitanda metida à besta, que me vendeu o que eu precisava pelos olhos da cara. E daí não dei à conta salgada chance de me aborrecer, pois seria afinal injusto - quase pecado que estragaria a belíssima manhã que nos iluminava a todos, magnífica.
Vejam a seguir as fotos que dizem melhor do que estas minhas inúteis palavras de antes...
1. Dos excessos no projeto magnífico do Tribunal Superior Eleitoral, declinados na cerquinha kitsch verde-oliva e nos iglús ao modo de cópia patética - pela posição e dimensão acanhadas - das conchas camerais do Congresso Nacional.

High Court of Electoral Justice


2. Do perfeito encontro de gênios: O Meteoro (Bruno Giorgi) no Palácio do Itamaty ( Oscar Niemyer)

Meteor


3. E do Congresso Nacional: Da essencialidade da geometria ao confronto com as tortuosidades adaptativas da vegetação no serrado brasileiro, chega-se à transição do homo faber colonial para o homo tecnologicus, que, a partir das incertezas vividas na Guerra Fria, pretendeu que fossemos mensageiros portadores de futuro, no altiplano brasileiro.

  The National Congress of Brazil
The National Congress of Brazil

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Curso de Jornalismo Científico em Neurociências

Da Agência Fapesp

Estão abertas, até 30 de abril, as inscrições para o processo seletivo do curso de pós-graduação lato sensu em Divulgação científica e Saúde: Neurociências, oferecido pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) em parceria com o Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O curso é gratuito e se destina à formação de jornalistas científicos, divulgadores de ciências e assessores de comunicação de universidades e de instituições de pesquisa que estejam envolvidos com a temática da saúde.
O objetivo da especialização é formar profissionais que tenham visão global sobre o sistema de ciência, tecnologia e saúde, para atuar nos meios de comunicação de massa.
O currículo é constituído por 12 disciplinas, de caráter obrigatório. A dinâmica do curso prevê a interação entre jornalistas e cientistas, por meio da formação de duplas de trabalho, orientadas por professores das duas áreas.
O curso tem duração de três semestres, com aulas realizadas às quintas-feiras, das 9h às 17h.
A seleção dos participantes será feita em duas etapas. Em uma primeira fase, os interessados deverão enviar a ficha de inscrição preenchida, seu curriculo vitae e um texto de sua autoria sobre neurociências, sociedade e divulgação científica. Os selecionados nesta etapa serão convocados para realizar uma prova escrita e de proficiência em inglês, além de uma entrevista com os coordenadores do curso.
O resultado da seleção está previsto para ser divulgado em 20 de junho e o curso terá inicío em 9 de agosto.
Mais informações: www.labjor.unicamp.br.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Scielo Lança Portal de Livros no Brasil

A Scientific Eletronic Library On Line (Scielo) disponibilizou a partir do dia 30 de março passado, em seu portal brasileiro, o acesso à livros eletrônicos. Os títulos procedem de editoras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Editora Fiocruz. 
O acervo inicial é de 200 títulos que o leitor já pode acessar sem restrições. No futuro o projeto também oferecerá a possibilidade de compra de ebooks publicados por editoras estrangeiras. Imagino que serão incluídas editoras acadêmicas cujo acervo não está disponível para compra na Amazon, por exemplo. 
A iniciativa da Scielo, somada a outras congênes já em plena operacionalidade, de que são exemplo as da Biblioteca Nacional e da Universidade de São Paulo (Brasiliana USP), representam importante passo para a democratização da informação num país em que historicamente lê-se pouco, lê-se mal e o leitor não tem por hábito frequentar bibliotecas.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Interferência e Intervenção

Interference by Itajai de Albuquerque
Interference, a photo by Itajai de Albuquerque on Flickr.
Thomas Young, cientista inglês do século XIX, descreveu o fenômeno físico da interferência como a superposição de duas ondas sobre o mesmo ponto. Na arte moderna esse conceito está presente, especialmente entre artistas do movimento conceitual.
Quando em visita ao Museu George Pompidou em Paris, fui provocado por essa extraordinária oportunidade de superposições e correlações. Não perdi a oportunidade: saquei da Nikon D-40 e fiz a foto que aí está. Noblesse oblige, não usei o flash, nem a lâmpada piloto.

domingo, 1 de abril de 2012

Câncer, o Permanente Desafio

Anos atrás, para fins didáticos, alguém que esqueci o nome definiu o câncer como comparável aos eventos revolucionários: O câncer é a revolução das células, foi dito. Apesar de superficial, a comparação não apresenta uma relação em si descabida, se considerarmos que em ambas as situações a ordem regular dos eventos e seus processos estão alterados para que uma situação nova e antagônica - desafiadora - se estabeleça no lugar de outra antiga. 
O fato é que o câncer se inicia a partir do momento em que uma célula modifica a fisiologia da divisão celular e principia um crescimento desordenado, levando a um desequilíbrio que alcança o máximo no momento em que os limites de localização tecidual são quebrados e a célula evadida é deslocada para outros lugares do organismo, o que a Biologia Celular denomina de metástase.
Mas, se há anarquia na divisão celular, de onde exatamente surge a ordem para o desregramento que até hoje desafia o controle resolutivo da doença,  e, mais ainda, quando a neoplasia maligna não mais pode ser considerada localizada, porque distribuída em outros orgãos do ser vivo?
A resposta não é simples, embora saibamos que o câncer é uma doença genética devido ter origem no dano à integridade do DNA, lesão que pode ser provocada por inúmeros fatores e cofatores, aos quais em alguns casos - para aumentar o tamanho da encrenca - também se associam a predisposição familiar e individual.
Segundo pesquisa conduzida por pesquisadores do UK London Research Institute o evento ordenador dessa revolução é extremamente complexo, origina pluralidades e se faz presente durante toda a dinâmica da doença, o que nos obrigaria reconhecer a validade do termo cânceres ao invés de câncer, visto que essa última flexão apontaria para uma singularidade que a rigor inexiste.
O artigo Intratumor Heterogeneity and Branch Evolution Revealed by Multiregion Sequency, publicado em 08 de março na revista The New England Journal of Medicine, foi resumido e explicado de forma brilhante por "Henry" no Science Update Blog daquele instituto de pesquisa. O estudo possui relevância para a avaliação do paradigma terapêutico vigente, porque sua conclusão possui potencial portador de futuro em termos de desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o diagnóstico e o tratamento de neoplasisas malignas, de modo que possamos reverter as curvas de mortalidade, em especial nos casos em que o oncologista não confronta a doença localizada.
Segundo os pesquisadores do centro de pesquisa inglês, não existem duas amostras geneticamente idênticas em um mesmo paciente da série analisada, nem mesmo entre as células do tumor original. Por sua vez, as células secundárias (metástases) também foram do ponto de vista genético significativamente diferentes daquelas relacionadas ao local primário da doença. 
Essas evidências permitiram aos pesquisadores concluírem que há marcante heterogeneidade genética no tumor, nas metástases e entre ambos, conclusão semelhante a aquela descrita por Xiaochong Wu e colaboradores, que em artigo publicado na Nature demonstraram que as células secundárias ou metastáticas de um tumor de células imaturas, o meduloblastoma, são geneticamente diferentes de suas congêneres encontradas no tumor primário. 
Ambas as pesquisas, portanto, trazem de forma contundente questões que confrontam nossos paradigmas quanto ao diagnóstico e aos protocolos clínicos para tratamento efetivo dos cânceres. Por outro, devemos considerar que os resultados descritos em ambos os estudos estão perfeitamente correlacionados com a Teoria da Evolução, estabelecida por Charles Darwin no século XIX. 
Se considerarmos esses eventos celulares à luz darwinista, haveremos de reconhecer que estão em acordo com o fundamento de que a evolução é fenômeno indissociável do processo vital,  existe não somente entre espécies distintas, mas dentro de uma mesma espécie e, conforme as evidências acima descritas, num mesmo indivíduo, nas suas células, mesmo que sejam cancerígenas. Ou seja, a evolução além de permanente é tão vertical quanto horizontal, no sentido mais extensivo que possamos admitir.
Por essa razão a extrema heterogeineidade genética descrita pelos pesquisadores ingleses, não pode ser entendida senão como fosse estratégia  celular de sobrevivência à diversidade do meio, conforme exemplificado no Science Update Blog:
Isto é muito desafiador: tumores malignos são capazes de lidar com substâncias químicas que eles nunca "viram" antes. São uma espécie de superpotência biológica que superam as estratégias adaptativas dos agentes causadores de doenças infecciosas. Basta para isso pensarmos o tempo que bactérias "resistentes a múltiplas drogas" levaram para evoluir. No entanto, células cancerígenas podem fazer isso em questão de meses, ou mesmo semanas, quando confrontadas com um meio ambiente tornado hostil pela quimio ou radioterapia. 
Assim, em primeiro plano,  aqui temos um monstruoso desafio só comparável àquele que Édipo decifrou nas portas de Tebas, ao encarar a temível Esfinge: se os cânceres são doenças capazes de levar à morte, no fundo, em nível celular e molecular, são os mecanismos adaptativos de proteção à vida que continuam a operar para garantir cegamente esse desfecho mortal. Como interromper essa lógica cruel que confronta o ser pluricelular e o conhecimento, esse representa nosso maior desafio no campo das ciências.

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Referências citadas: 

Gerlinger, M. et al (2012). Intratumor Heterogeneity and Branched Evolution Revealed by Multiregion Sequencing. New England Journal of Medicine, 366 (10), 883-892.

Science Update Blog


sábado, 31 de março de 2012

A Fronteira do Conhecimento por Hipócrates

Disse-o Hipócrates (460 - 377 A.C) : Há menos perigo nas doenças que se relacionam com à constituição, hábitos, idade e com a estação, do que naquelas que não guardam essas relações. 
Nas palavras de nosso tempo: Inquietava-o os agravos à saúde que estão na fronteira do conhecimento de uma época, que representam maior risco ao indíviduo exposto devido às impossibilidades ou fragilidades impostas à compreensão das causas e dos mecanismos dessas doenças, e também porque serão instáveis as intervenções conexas de cura, de recuperação, de alívio e de controle, comprometendo as políticas públicas que venham a ser desenhadas para o enfrentamento daqueles problemas.
Na História da Ciência são exemplos desse drama a Aids, as doenças causadas por príons, o câncer, o Alzheimer e as viroses de variada virulência e letalidade, que desafiam nosso conhecimento e o uso de intervenções efetivas: isto é, aquelas que funcionem com superioridade no mundo real e confirmem o que antes foi verificado no mundo controlado dos laboratórios científicos quanto ao seu uso e segurança.
No aforismo hipocrático há também a sutil presença do conceito de determinantes sociais de saúde, que apenas viria a ser desenvolvido de forma plena a partir dos anos 70 passados, depois da Conferência de Alma-Ata em plena Guerra Fria. Significa compreender, a partir desse exemplo, que o conhecimento é substantivo, transitivo e incremental, o que lhe confere enorme valor agregado, quer o classifiquemos no relevo e nos caminhos de suas planícies e planaltos como tácito (know how) ou explícito (know do).