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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Nanobiotecnologia e Segurança Alimentar

O  Fundo Internacional de Pesquisa e Segurança do Canadá é uma iniciativa conjunta da Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional (CIDA) e do Centro Internacional de Pesquisa e Desenvolvimento (IDRC). Tem por objetivo apoiar projetos de pesquisa e inovação relacionados com a segurança alimentar global. Atualmente são apoiados 19 projetos sob a liderança de 37 instituições de pesquisa, das quais 11 são canadenses e 26  de países em desenvolvimento.
Entre os resultados dos projetos financiados pelo fundo, destacam-se os resultados obtidos pelos  pesquisadores da Universidade de Guelph (Canadá), da Índia e do Sri Lanka, que desenvolveram sistema de embalagem inovadora para a reduzir a deterioração e as perdas de mangas pós-colheita, com o uso da nanobiotecnologia. O produto desenvolvido pelo consórcio dos três países poderá ser aplicado também na economia agrícola canadense, assim como em outros países.

Perfil do projeto Reducing fruit losses in India and Sri Lanka using nanotechnology pode ser acessado aqui.


domingo, 13 de novembro de 2011

A Exuberância Luminosa de Gaia

Earth | Time Lapse View from Space | Fly Over | Nasa, ISS from Michael König on Vimeo.

Na coluna eletrônica Dot Earth, no The New York Times, Andrew Revkin presenteia-nos com esse belo filme feito há dois meses pelos tripulantes da Estação Espacial Internacional. É um passeio belíssimo sobre nosso planeta, em que observamos a exuberância das luzes de nossa civilização concorrendo com a beleza das auroras boreais e os clarões de trovões sob as nuvens de nossa atmosfera.

Nesses tempos em que nós brasileiros lutamos para que seja garantido o acesso a documentos de Estado, e que nenhum tenha estatuto de eternamente secreto, não posso deixar de registrar que o acesso universal dessas imagens só é possível, porque o Congresso dos EUA em 1958 votou o Space Act (Ato Espacial), onde é estabelecido que a NASA deve comunicar seus achados científicos ao público.

sábado, 12 de novembro de 2011

O Passeio do Besouro Entimus

Entimus Beetle in a Bougainville branch by Itajai de Albuquerque
Entimus Beetle in a Bougainville branch, a photo by Itajai de Albuquerque on Flickr.

No finalzinho da tarde desse sábado, brasilianamente ensolarado, quando molhava as plantas na minha sacada, dei com um visitante diferente. Um besourinho que parecia fantasiado para o Carnaval, no tempo em que ainda haviam bailes à fantasia na altura dessa descrição.
Claro que montei a velha Nikon D-40 e fui observá-lo mais de perto. Tratava-se de um besouro bem blasé - ou seria uma besoura? Até fez uma paradinha para tomar quem sabe um pouquinho d'água.
Na internete busquei saber o nome e o sobrenome do visitante, e penso que a identidade se aproxima bastante de um espécime do gênero Entimus. O esclarecimento dessa dúvida caberá aos entomólogos, que acaso por distração dêem uma passadinha aqui, no blog.
O fato é que hoje, no planeta, os besouros estão entre as espécies ameaçadas de extinção. O risco se deve às mudanças provocadas em seu habitat natural, que são as florestas.
Não se sabe ao certo quantas espécies desses insetos existem no mundo, nem tão pouco qual a exata função que desempenham no ecosistema terrestre. Mas que eles teem uma ou algumas nem se pode duvidar! Afinal, falta de evidência científica não significa ausência de evidência. Novas perguntas ou reinquirições são o combustível da ciência.

Que Tal um Gole?

terça-feira, 8 de março de 2011

Canção da Manhã Feliz

Orquideacea by Itajaí de Albuquerque
Orquideaceae a photo by Itajaí de Albuquerque on Flickr.

(Miltinho)

Luminosa manhã
Prá que tanta luz
Dá-me um pouco de céu
Mas não tanto azul
Dá-me um pouco de festa não esta
Que é demais pro meu anseio
Ela veio olhar, você sabe, ela veio

Despertou-me chorando
E até me beijou
Eu abri a janela
E este sol entrou
De repente em minha vida
Já tão fria e sem desejos
Estes festejos, esta emoção
Luminosa manhã
Tanto azul, tanta luz
É demais pro meu coração

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma Onda da Pesada

O navio de cruzeiro Clélia II estava na Passage Drake na Antártica, quando foi atingido por onda de 30 pés de altura (9 metros). O impacto danificou um dos motores, desligou o sistema de comunicação e quebrou vidros de janelas, deixando o navio a deriva. Nenhum dos 160 passageiros foi ferido e com a ajuda de um barco da National Geographic, que estava próximo, foram rebocados em segurança para a Argentina. No YouTube impressiona a agitação do mar na região.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Foi o Golfinho, Sinhá

Botos e golfinhos são animais próximos na escala zoológica. Na Amazônia existe a lenda do boto, em que conta-se que esse mamífero assumiria a forma humana e viria a terra em noites de lua cheia, sempre vestido de branco e chapéu (para disfarçar o orifício respiratório sobre a cabeça), no intuito de seduzir jovens consideradas atraentes.
A lenda, como expressão de uma socialização de uma região isolada e periférica, remete às questões relacionadas à gravidez indesejada em comunidades fechadas. Hoje, como anedota, ainda perdura dizer com maldade: Fulano (a) é filho (a) do boto. Aqui, nesse extraordinário filme, vê-se com clareza a atração e o comportamento sexual de um golfinho macho em torno de uma nadadora que , decerto, desconhece a lenda dos botos amazônicos .

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

I Jornada de Patologia Toxicológica

A Associação Latino-Americana de Patologia Toxicológica realizará, no dia 18 de outubro, a 1ª Jornada de Patologia Toxicológica, em Botucatu (SP

O evento – que reunirá biólogos, veterinários, toxicologistas, médicos, farmacologistas, entre outros – discutirá um tema que, de acordo com os organizadores do evento, tem tido pouca atenção.
A patologia toxicológica é caracterizada como processo de pesquisa e desenvolvimento de produtos químicos industriais, particularmente de fármacos, praguicidas agrícolas, aditivos alimentares e alimentos geneticamente modificados.
A avaliação da toxicidade desses produtos, antes de serem colocados no mercado, é estratégica para a segurança química e nutricional, destacam os organizadores da jornada.
Wanda Haschek-Hock, presidente da Sociedade de Patologia Toxicológica, e Samuel Cohen, do Centro Médico da Universidade do Nebraska, ambos nos Estados Unidos, e Olga Pulido, do Health Canada (Canadá), serão alguns dos palestrantes.
O evento será realizado no Salão Nobre da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu (SP).

Mais informações e inscrição: www.alaptox.org ou (14) 3811-6238 (ramal 252).

domingo, 19 de setembro de 2010

A Bela Mexicana Que Mora Em Casa

















































Permitam apresentar-lhes a orquídea ... Arpophyllum gigantea, vestida para brilhar nesse setembro de luz e cor, de começo de primavera!

sábado, 7 de agosto de 2010

Mr. Callithrix É Resgatado



















O macaquinho da foto é considerado o menor do mundo e se chama Callithrix pigmaea. Seu habitat é a região Amazônica. Essa vida tão delicada vive na copa das árvores e está ameaçado de extinção, decerto pelo desmatamento que modifica seu nicho ecológico de forma drástica. O exemplar fotografado foi encontrado recentemente escondido entre as roupas de um viajante peruano. Não há informações se ali estava por circunstância ocasional ou se era espécie de mascote do homem. Os índios, por exemplo, utilizam o C. pigmaea nos ombros e nos cabelos, para que ele de conta dos piolhos que ali queiram se instalar. Tem 13 cm de tamanho e depois de ser tratado no centro de recuperação para onde foi enviado, terá aspecto menos debilitado.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Um Outro Mundo Sem Mosquitos é Possível?

Não, essa pergunta não se refere aos protestos nas ruas de Davos na Suiça, cidade em que tradicionalmente os países ricos se reúnem para avaliar e tirar consensos sobre questões econômicas mundiais.
A indagação foi feita a um conjunto de cientistas, a partir da hipótese que o desaparecimento dos mosquitos poderia trazer benefícios ao homem pelo controle de doenças gravíssimas como a Malária, a Febre Amarela, a Filariose e as Febres Hemorrágicas Virais. Com um adendo: desde que a extinção daqueles insetos não tivesse consequências para o equilíbrio ecológico. Em que pese que a Humanidade se beneficiaria com a iniciativa, o resultado final poderia representar um tremendo fracasso em termos ecológicos. Saiba como, conhecendo a opinião dos cientistas que analisaram a questão para a revista Nature.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Négócio da Cana Continua no Século XVIII


O presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul (Orplana), Ismael Perina, cobrou dos pré-candidatos à Presidência da República maior empenho contra o que, segundo ele, são arbitrariedades que o setor sucroenergético enfrenta e relacionadas, por exemplo, às fiscalizações trabalhistas nas famigeradas usinas. Perina discursou durante a cerimônia de entrega da primeira edição do Prêmio TOP ETANOL, na segunda-feira (07/06), em São Paulo.
“Os empregadores precisam de maior segurança jurídica, uma definição mais objetiva e transparente do significado de condições análogas à de escravo, em especial as chamadas condições degradantes de trabalho. Hoje predomina a subjetividade e o arbítrio nas fiscalizações. Dois fiscais fiscalizando a mesma propriedade podem ter interpretações totalmente diferentes sobre um mesmo item fiscalizado,” pontuou Perina.
O dirigente da Orplana cobrou também uma ação dura do Estado contra as invasões de propriedades rurais produtivas. Para ele, há um contra-senso de uma legislação forte e punitiva para invasões urbanas, mas sem o mesmo vigor nas áreas rurais. A terceira questão reclamada pelo empresário foi "uma solução definitiva para o absurdo conflito que se criou entre agricultura e meio ambiente", sublinhando que são os agricultores os grandes responsáveis pela harmonização entre produção e conservação ambiental. Contudo, para ele é um absurdo a atual legislação retroagir no tempo e obrigar à recomposição da vegetação nativa em 20% da área da propriedade agrícola na maioria dos estados.
As questões colocadas pelo representante do agro-negócio da cana nos remetem a uma pauta do século XVIII. Para um setor que pretende internacionalizar o etanol, disputando um lugar ao sol no acirrado mercado das comodities energéticas, o discurso é próprio do anacronismo que exemplifica a perenidade do coronelismo na grande propriedade rural brasileira, açucareira ou não. Ora, um setor que anda incomodado com a fiscalização de práticas de trabalho escravo não pode ser candidato ao mercado internacional de produtos sustentáveis.
Desconhecer os problemas agrários do Brasil, a defasagem nos indíces de produtividade usados para aferir o que são "propriedades rurais produtivas", insistir na desqualificação dos movimentos de luta pela terra, não vai ajudar o setor a se modernizar e atingir os seus objetivos de longo prazo. Por exemplo, outro dia eu lia um conjunto de gráficos produzidos por uma consultoria inglesa, relacionados a meio ambiente, fragilidades políticas e potencial econômico. O Brasil tinha vantagem internacional em praticamente todos os quesitos, exceto nas tensões relacionadas ao campo. Isto quer dizer que o investidor internacional pensará duas vezes em comprar álcool de alguém que trata conflitos sociais como estivesse no século XVIII e com isso arrisca a continuidade do fornecimento como recorda-nos a história das plantations no Caribe.
Para uma indústria que tem a ambição de produzir o substituto sustentável aos derivados do petróleo, a crítica a medidas de preservação ambiental também soa destoante. A proposta de uma matriz de combustíveis limpa para o Brasil e para mundo é defendida pelo movimento ambientalista e, se adotada, provavelmente, teria no etanol uma das alternativas mais viáveis ampliando em muito o mercado desse produto. Por outro lado, o setor demonstra não querer assumir os compromissos necessários para garantir a sustentabilidade ambiental da produção de cana, ao negar a recomposição da vegetação de parte das suas propriedades.
Essa escancarada contradição com certeza não passará em branco e o etanol, que tem sofrido muito com a idéia de que sua produção concorre com recursos para a produção de alimentos, poderá sofrer novo revés ao criticar medidas compensatórias como a recomposição parcial da mata nativa que está prevista no Código Florestal de 1965.
Há mais de 50 anos se aguarda que essa legislação federal seja cumprida. Agora, vencidas todas as prorrogações acordadas em sucessivos governos, o setor ruralista se empenha com audácia na alteração do Código. Para termos uma idéia da disputa em curso no Congresso Nacional, o processo de revisão do Código Florestal está na Câmara e o relator é o deputado comunista Aldo Rabelo que, sob a pretensão de garantir salvaguardas aos pequenos produtores, que segundo diz não teriam condições de arcar com a constituição das reservas, propõe flexibilizar as regras. do Código. Coincidentemente com o apoio e elogios de sua outrora tradicional inimiga, a bancada ruralista. Consumado o resultado de um inusitado conluio, praticado na contra-mão dos interesses maiores da sociedade brasileira, sem dúvida estará legitimado mais um atraso, outro passo atrás das rupturas históricas com que o Brasil tem buscado avançar na redução do desmatamento, da qual é exemplo a posição adotada na Conferência de Copenhaguem, quando anunciamos metas relevantes e voluntárias para a aprovação da Lei de Mudança do Clima.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mercado Interno e Desmatamento da Amazônia.

O jornalista-blogueiro e doutor em Ciência Política Leonardo Sakamoto aponta para o que ele considera a coluna vertebral do comércio ilegal de madeiras na Amazônia: o mercado interno brasileiro. Se de fato for esse o sustentáculo da máfia que explora um negócio extremamente lucrativo, a solução do problema está na cooperação efetiva entre os governos federal e dos estados. A energia para garantir os resultados pretendidos sem dúvida derivará menos da representatividade do que da vontade política, considerando que em tese autoridades não mantêm relações promíscuas com redes criminosas, que, neste caso, por quase certo estão associadas à consistência estatística de pelo menos dois outros crimes naquela região: a pistolagem rural e o trabalho escravo, ambos endêmicos no Estado do Pará. O texto de Sakamoto na íntegra, aqui.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Estudo Goldfinger

É concenso entre cientistas reconhecer a insuficiência de métodos eficazes para a previsão de terremotos. Contudo, esta semana a Nature News informa sobre o estudo do geólogo marinho Cris Goldfinger e colaboradores, a ser publicado em breve publicado pelo US National Survey, que é o orgão governamental norte-americano relacionado a assuntos referentes a abalos sísmicos.
O estudo baseou-se em cerca de 80 amostras procedentes de uma falha geológica com 1000 km de extensão, situada entre a Ilha de Vancouver (Canadá) e o Cabo Mendocino (Califórnia).O objetivo da pesquisa era identificar depósitos de deslizamentos resultantes de grandes terremotos marinhos ocorridos no passado. Utilizando carbono-14 para datação do plancton aprisionado nas rochas e de dados físicos e de polo magnético das rochas, os cientistas obtiveram dados que permitiram reelaborar o mapa de risco e magnitude de terremotos na região.
Antes o risco estabelecido para a região apontava para recurrências de terremotos de grande impacto a cada 500 anos, com uma probabilidade de ocorrência em 10-15% para os próximos 50 anos. O estudo de Goldfinger, ao aumentar de 9 para 41 o número de terremotos estudados, recalculou a frequência de um grande abalo sísmico a cada 240 anos, o que definiu um risco de 37% para a região ser atingida por um terremoto de magnitude 8 nos próximos 50 anos. Os achados do estudo foram considerados relevantes tanto pela comunidade científica quanto pelo US Geological Survey, que realizará um workshop de verão para avaliar como os resultados da pesquisa serão incorporados nos mapas de risco e prevenção de catástrofes.

domingo, 23 de maio de 2010

Google Earth: O Tamanho da Encrenca

O blogue Alexander Higgins oferece com base no Google Earth um recurso didático para o leitor avaliar comparativamente o tamanho da mancha de óleo derramada no Golfo do México. Calcule por exemplo, aqui, a relação entre a extensão da mancha e a cidade em que você mora. É impressionante a magnitude desse desastre ecológico.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Malária x Alterações Climáticas: Pesos & Medidas

A associação de mudanças crescentes de temperatura à epidemiologia da malária em teoria está justificada pelos conhecidos efeitos biológicos que as diferenças de temperatura provocam no ciclo de vida do vetor Anopheles e do Plasmodium. Contudo tais efeitos não agem de forma isolada, e avaliações empíricas serão válidas apenas se o papel e a influência relativa dos fatores não climáticos forem considerados. A interpretação óbvia é de que a recessão global observada nos casos de malária desde 1900 é que fatores não-climáticos, principalmente aqueles relacionados diretamente ao controle da doença e os efeitos indirectos de um século de urbanização e desenvolvimento econômico, embora espacialmente e temporalmente variáveis, exerceram uma influência substancialmente maior na extensão geográfica e intensidade da malária durante o século XX do que os fatores climáticos. Esta simples inferência é consistente com outros estudos que analisaram as forças históricas climáticas e antrópicas e demonstraram importantes implicações para o debate sobre a importância das alterações climáticas na determinação de cenários futuros da malária.

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Trecho de carta publicada na edição da Nature (20/05/2010) em que os autores Gethi, Smith e Patil e colaboradores discorrem com elegância sobre as relações entre alterações climáticas e a prevalência/indicência da malária no mundo. O artigo na íntegra e sem ônus está disponível para leitura.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Questão Nuclear do Irã: Cenário e Personagens de um Enredo Petrolífero




































































Com respeito ao ruidoso affair relacionado ao domínio da tecnologia nuclear pelo Irã, algumas questões merecem esclarecimento para o público. Em primeiro lugar é necessário recordar alguns pontos cardeais para que o leitor possa se situar no cenário em que se desenrola a disputa por enquanto diplomática. Isto significa clarificar algumas questões de domínio público relacionadas às partes em litígio, o que significa reconhecer que:

  • O Irã é uma república religiosa islâmica ortodoxa, que há mais de 30 anos tem se mostrado hostil aos EUA e a Israel, desde que o aiatolá Khomeini depôs o aliado Xá Reza Pahlevi no final da década de 70.
  • Em termos energéticos, considerando dados do BP Statistical Review of World Energy, publicado em 2004, o Irã é o terceiro maior produtor mundial de petróleo, com reservas estimadas para durar em média 95 anos.
  • As pretensões de hegemonia mundial dos EUA nos campos da política e da economia são necessariamente balizadas pela questão energética. O país é o maior consumidor mundial de produtos derivados do petróleo, consomindo 3 vezes mais petróleo do que produz. Ao fazê-lo, como seria de esperar, torna-se o líder na emissão de CO2 na atmosfera, sem que demonstre uma disposição de efetivamente associar-se as recomendações do Protocolo de Kyoto.

Está claro que estamos diante de um conflito de interesses que envolve grandes riscos, especialmente se considerarmos que está em curso no Oriente Médio uma guerra localizada no Iraque desde 2003, declarada sob a alegação de que esse país pretendia dominar a tecnologia nuclear para fins militares, além de fabricar armas de destruição em massa. Em que pese Sadam Hussein ser um criminoso político que deveria ser julgado em Haia, o fato é que iniciada a guerra nunca essas armas foram encontradas pelos exércitos de ocupação liderados pelos EUA.
Logo, sem desconsiderar a vociferante retórica do presidente iraniano Ahmadinejad, o que podemos estar assistindo nesse momento é uma bem montada operação para os EUA constituirem uma favorável estabilidade de fornecimento de petróleo no Oriente Médio, visto que a queda de Ahmadinejad significará o controle político e militar de 96% da produção de petróleo na região, que por sua vez representam 64,5% da produção mundial. Some-se a isto o fato de que o regime dos aiatolás representa o único estado capaz de fornecer suporte moral e material às forças militares palestinas que hostilizam permanentemente o estado de Israel.
Mas tal necessidade se torna mais estratégica na medida em que a relação reserva/produção norte-americana ou R/P (quantidade remanescente de recurso não renovável autóctone expressa em anos), considerando dados de 2008, é calculada em 8 anos. No caso do Brasil, sem o Pré-Sal, a R/P é de 14 anos. O domínio político de 96% das reservas petrolíferas do Oriente Médio, portanto, significa a estabilidade de fornecimento de óleo crú por ao menos 500 anos, tempo suficiente para a substituição da atual matriz energética fundamentada em combustível fóssil.
A possibilidade do retorno do Irã à mesa de negociações, mediado pela diplomacia brasileira, desde o início gerou manifestações de incrédula hostilidade, tanto procedentes da Europa quanto da Casa Branca. É sabido que a Europa tem uma longa história de desconfiança com a Turquia, apesar do país ser aliado na OTAN. Quanto a Casa Branca é de se estranhar face as sinalizações recebidas pelo Itamaraty no processo de construção do acordo. A divulgação de um rascunho de documento do Conselho de Segurança da ONU, em que são impostas sanções pesadas ao Irã não pode ter o objetivo de criar terreno propício para que o acordo assinado na semana passado frutifique, mas certamente expressa a influência de políticos linha dura e o desejo da Casa Branca em amenizar as relações pouco auspiciosas com o Congresso .
Ao tempo dos governos Bush senior e Bush junior, analistas justificavam o uso do grande porrete (big stick) nos assuntos energéticos e do Oriente Médio com base na pesada doação que empresas petrolíferas haviam feito para a eleição dos líderes republicanos. Não sabemos o quanto esses interesses econômicos doaram para a campanha eleitoral do presidente Obama, que no momento tem se mantido estranhamente calado sobre os últimos acontecimentos da questão iraniana. Sabe-se, contudo, que petrodólares irrigaram fortemente o fundo milionário que lastreia a fundação do ex-presidente Bill Clinton, a ponto de ele ter de apresentar justificava publica por ocasião em que a sua esposa, a atual secretária de Estado Hillary Clinton, então disputava as prévias do Partido Democrata com o atual presidente estadunidense.
Não menos estranho é o silêncio da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) sobre o acordo Turquia-Irã, considerando que caberia a instituição dar o próximo passo no processo e firmar-se institucionalmente, ao modo como o fez nos meses que antecederam a invasão do Iraque pelas forças de coalizão, quando contradisse o alardeado uso de energia nuclear para fins não pacíficos, que não existia. Não é possível que o atual diretor geral, Yukiya Amano, nada soubesse do acordo, especialmente depois de encontrar-se com o ministro das relações exteriores do Irã no final de abril passado.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Areias Betuminosas Sob Acusação


























James Cameron continua em cartaz no lado de baixo do Equador, agora acompanhado do talento e da beleza das pernas da atriz Sigourney Weaver. Entretanto, quando o assunto é o petróleo betuminoso no Canadá e a sua correspondente agressão ao meio ambiente, o diretor canadense faz cara de paisagem, esteja só ou acompanhado.
Também, como é dito no Norte, o porco não se esfrega em pupunheira*. Por ser garoto tão esperto quanto nossos caboclos, Cameron sabe que falar sério com o cartel do petróleo não é um passeio em país tropical: é arrumar inimigo poderoso para o resto da vida.
Caravana Roliúde** a parte, Le Monde Diplomatique pauta o dano ambiental provocado pela economia do petróleo no Canadá, demonstrando que o assunto está na ordem do dia tanto quanto Belo Monte, o projeto da hidrelétrica brasileira no Pará que o diretor de Avatar faz de cavalo de batalha; ou melhor, de pano de fundo para garantir mídia e platéia para o seu caríssimo filme de ficção científica.
Como leio no primeiro parágrafo da matéria publicada no jornal francês:
Enquanto o derramamento de 800 mil litros de óleo chamam atenção do mundo, em outros lugares problemas ambientais relacionados ao petróleo são tratados com indiferença. Como em Alberta, no Canadá, onde o dano ambiental da extração de petróleo das areias betuminosas e do seu necessário refinamento corresponde a um desastre por ano, na medida do que aconteceu no Golfo do México.

*Dito popular sobre prudência e esperteza. A pupunheira (B. gasipaes) é especie vegetal nativa da flora da América Central e Amazônia, conhecida pela excelência de seu fruto, a pupunha, muito apreciada na culinária regional. A palmeira de porte magnífico tem o caule coberto de espinhos (v. foto), que podem alcançar até 7 cm de comprimento. Possui perfil econômico sustentável para a indústria do palmito
** Se Cacá Diegues criou a Caravana Rolidai no filme Bye-bye Brazil, por que não vermos na dobradinha Cameron-Weaver a Caravana Roliúde? Data venia o filme de Diegues ser uma das mais sérias leituras cinematográficas já feitas sobre o Brasil.