terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fetiche Tecnológico










Tira de
Adão Iturrusgarai

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Caravana Rolidei* Chega aos EUA


















Apesar do NY Times, o Brasil de gente esquisita, que vive na praia de Copacabana, em Buenos Aires, no dolce far niente de tomar cachaça, olhar bundas de belas mulheres semi-nuas e, no intervalo do carnaval, sempre jogar um futebol de mestres, tornou-se um latino respeitável nas academias de Tio Sam. Surpreenda-se, clicando aqui.

* Nome de um circo mambembe no filme Bye-bye Brasil, um clássico do cinema brasileiro dirigido por Cacá Dieges, no final dos anos 70.

Política Pública Brasileira È Destaque em Harvard

Brasil prova aos países em desenvolvimento que é possível enfrentar a epidemia de HIV/AIDS com o uso de genéricos. Quem anuncia é a Harvard School of Epidemics, mas eu completo: o resultado alcançado só é possível, porque o Brasil possui um sistema de saúde público, universal, equânime e integral - o SUS. De outro modo os pacientes portadores do HIV e acometidos de AIDS padeceriam como padecem aqueles que vivem em países desenvolvidos e em desenvolvimento, excluídos pelos limites contratuais dos planos de saúde e/ou pela ausência de um sistema público de saúde que os atenda. Mais detalhes do elogio norte-americano aqui.

Com Fumaça Não se Brinca

Não bastassem a violência e as balas, o Rio de Janeiro agora contará com um novo inimigo: o aumento na emissão de gases nocivos à saúde humana. Segundo notícia publicado no jornal O Globo, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), uma comandita da empresa Companhia Vale do Rio Doce com a alemã Thyssen-Krupp, quando em funcionamento, irá aumentar "em 76% a taxa de dióxido de carbono na atmosfera". Esse percentual representa mais de 12 vezes o total de emissões industriais do gás no município e cerca de 14% do total de emissões produzidas no estado.
A denúncia tem outros ingredientes que permitem compará-la à nitroglicerina pura, que, ao sugerir as razões e os interesses por trás desse projeto, explicará por que ele é vendido ao público como a menina dos olhos da recuperação econômica do estado do Rio de Janeiro. Detalhes sobre a gravidade do problema, que afetará a saúde da população da zona oeste carioca, mas em igual a Baixada Fluminense, podem ser lidos na página eletrônica da Fundação Lauro Campos.

domingo, 15 de novembro de 2009

Sem Dinheiro, Motosserras Travam

A ONG Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), ao modo como foi observado em âmbito internacional sobre outros assuntos ambientais, especula que o recuo observado no desmatamento da região deve-se aos freios da crise econômica mundial.
A hipótese tem validade, pois desde 2008 haviam evidências de iminente contração setorial na pecuária brasileira. Por exemplo: segundo estudo financiado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgado em 2008, o custo operacional total (custo variável + custo fixo + depreciação) acumulou alta de 88%, enquanto o valor da arroba do boi gordo havia subido 56%.
Tratava-se naquela altura de um prejuízo operacional na ordem de 32%, que, no transcurso da crise, com as curvas cambiais positivas do Real, levou a desacelaração de novos investimentos na ampliação de rebanhos e pastos para fins exportadores.
Mas a conclusão do Imazon, por mais redonda que aparente, requer complemento. Ainda resta avaliar quais foram os efeitos concorrentes da política ambiental para a Amazônia, na definição do desfecho para o período observado. Sem a medida dessa variável quali-quantitativa, a avaliação perde a completude científica necessária à elaboração de um quadro compreensivo do problema ambiental na região.

A Civilização do Petróleo

É sob a influência de uma realidade social instável e ameaçadora para a América Latina e o mundo que Pablo Neruda, prêmio Nobel de Literatura, escreve em 1943 o poema Standard Oil Co., até hoje considerado um líbelo contra o neocolonialismo e o poder ilimitado de meia dúzia de empresas transnacionais com notável influência sobre a tecnologia e os negócios das países industrializados centrais, ainda que 85% da demanda diária de petróleo, necessária para manter girando essa imensa roda da fortuna, proceda de campos petrolíferos situados nos países em desenvolvimento ou periféricos.

O cinema, por sua vez, nunca ficou indiferente a essa temática. Longas-metragens como Salário do Medo (1953), Assim Caminha a Humanidade (1956), Caminho do Petróleo (1966), Syriana (2005) e Sangue Negro (2007), são clássicos que abordam a dimensão hostil da economia petrolífera. O vídeo aqui anexado é parte de uma produção da Four Seasons Productions, uma empresa norte-americana que apresenta um interessante catálogo de filmes em dvds sobre temas sociais de interesse geral.

A narrativa do curto documentário é o poema Standard Oil Co., em versão soberba para o inglês, que nivela-se à sonoridade e ao rítmo do original.

sábado, 14 de novembro de 2009

De Corais e Poesia Zen
























Corais se alimentam de plancton, dizia-se. As fotos acima evidenciam um fato até o momento desconhecido para a ciência. Um coral da espécie Fungia scruposa "engole" uma água-viva no Golfo de Aqaba (Mar Vermelho). Publicado em Coral Reefs (2009), 28:831–837.

A globalização tem sido implicada em inúmeros problemas sócio-econômicos e ambientais nas mais diferentes regiões do mundo. O atual momento do sistema capitalista promove ou subverte práticas culturais, delineando novas práticas e estilos de vida quase sempre nocivos à saúde da coletividade, como fruto de larga e profunda capacidade de produção industrial em escala, que faria os ideólogos da primeira revolução industrial paralisarem de espanto, se lhes fosse possível saber do mundo à frente, duzentos anos depois.
Costuma-se dizer que a unidade anos é um nada em termos de evolução do planeta e dos seres vivos que nele coabitam. Esta é uma verdade relativa, se considerarmos - e devemos fazê-lo seriamente -, quando consideramos que é inversamente proporcional à capacidade humana de produzir danos exponenciais ao ambiente na medida em que aprimora suas forças produtivas e responde às necessidades de mercado. Enquanto não temos limites para desenvolver, inovar, comerciar e alterar negativamente o meio ambiente, a reserva da natureza para responder aos efeitos colaterais do progressismo certamente tem, porque assim é demonstrado em todo e qualquer modelo de sistema, exceção feita à máquina de moto contínuo, jamais inventada.
Alguns pesquisadores, contudo, desenvolveram um niilismo perigoso quanto ao desaparecimento de espécies, fato extensivo à própria a que pertencem, afirmando que grande parte das espécies que hoje interagem no planeta não existiam há alguns milhões de anos, o que demonstra a finitude da vida. Seria inteligente a afirmação se não limitassem suas explicações evolutivas à catástrofes naturais e incluíssem a progressiva participação humana nas modificações do planeta, a ponto de alguns de seus colegas considerarem que vivemos uma nova era geológica, o Antropoceno.
Nessa linha de raciocínio científico, Bradbury (Australian National University) e Seymour (University College of London) publicaram na revista Coral Reefs (2009) 28:831–837) um artigo elegante que indaga com justificada preocupação sobre o futuro dos recifes de corais, organização com importância para o equilíbrio biológico dos mares, ainda que frágil em termos adaptativos frente à velocidade e profundidade das modificações promovidas no ambiente. Trabalhando com a teoria dos sistemas, articulando na argumentação referências conceituais de Biologia, Bioquímica, Economia, Física e de História da Ciência, os autores criticam também os atuais modelos de santuário ecológico para corais, observando que a atual crise não pode ser resolvida sem considerar que homens e corais são indissociados, porque representam indivíduos que integram sistemas superpostos e interagentes, contínuos e contíguos, onde um possui poder e velocidades ilimitados para promover modificações ambientais, enquanto o outro possui reservas com grande inércia para adaptar-se a essas alterações.
O mundo, portanto, precisa superar o atual paradigma de progresso técnico-científico-inovador iniciado na Inglaterra no século XIX, quando, já naquela época, ao lado de jornadas de trabalho com duração de dezoito horas, extensivas à crianças, observávamos que o enegrecimento dos troncos das árvores, provocado pela fuligem depositada pelas fábricas, levou ao quase imediato desaparecimento de mariposas claras, extintas devido a impossibilidade de adaptarem-se ao novo ambiente, como vítimas da cumplicidade estabelecida entre o modelo econômico expoliador e o predador natural daquela espécie.
Penso que não há outro modo de confirmarmos nossa vocação ética de sempre estarmos em um tempo futuro humanamente aceitável. Consciência, coragem e atitude são palavras que decerto nos animarão a caminhar no sentido de reconhecermos os valores de universalidade, integralidade, equidade e transcendência como zelos necessários a vida. Ao modo como Ryushu Shutaku (1309-1388) a imortalizou em poesia zen:
Uma única árvore em seu vaso é minha companhia
A penumbra verde de milhões de anos pesa sobre mim
Quem pode falar da vastidão contida neste mundo?
No espaço de poucos centímetros,
o imenso monte Zhuyong Feng.