sábado, 21 de abril de 2012

Brasília Como será?

Hoje Brasília, capital da República, completa 52 anos de inauguração. É uma bela cidade que aprendi a admirar nesses últimos nove anos de residência. Em homenagem a essa incomparável capital brasileira publico algumas de sua belezas. São fotografias feitas nas proximidades do Memorial de JK e da Torre de TV.

Untitled

Memorial JK

Tower of Brasilia - DF

Fountain of Monumental Axis

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pesquisa e Inovação no Brasil

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em seu Relatório Mundial de 1998, no início deste novo milênio vivemos um momento único de evolução tecnológica acelerada, nunca visto na história dos cuidados de saúde. Como exemplo dessa tendência, o Conselho Sueco de Avaliação de Tecnologias em Saúde (SBU) enfatiza que, pelo menos, 50% de todos os métodos terapêuticos em uso não estavam disponíveis há dez anos.
No que respeita às ciências biomédicas, tem-se observado tendência dos centros de conhecimento internacionais de ignorar as doenças de maior prevalência na humanidade, fornecendo recursos financeiros para pesquisa e desenvolvimento para produtos que geram maiores ganhos econômicos, claramente descritos pelo chamado 10 / 90 Gap. 
Esse efeito de viés de mercado na alocação de recursos para pesquisa científica nos países centrais termina por levar a uma insuficiência histórica na alocação de recursos para financiamento de estudos relacionadas às doenças negligenciadas, que afetam a maioria dos países pobres e em desenvolvimento, como é o caso daqueles que integram o grupo dos BRICS.
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O artigo Research and Innovation in Brazil, publicado em 2008 pela organização não governamental Global Forum, traz questões importantes sobre a política de pesquisa e inovação tecnológica em saúde no Brasil, correlacionando-a ao desenvolvimento de uma agenda internacional de cooperação no âmbito dos BRICS. Acesse por aqui texto completo.

domingo, 15 de abril de 2012

Leonard Cohen & U2 - Tower of song

Leonard Cohen & U2 : Tower Of Song

Um dos maiores poetas da música pop, Leonard Cohen, faz na postagem anterior uma parceria rara com o U2. Se poeticamente a música é sublimada como fosse uma torre, melhor centuriões não poderiam haver que esses músicos extraordinários. Hallelujah!

SUS e Saúde Suplementar São Sistema de Vasos Comunicantes

Nada direi da polêmica estampada nos jornais e divulgada de forma quase viral nas redes sociais, sobre a rejeição do trabalho da pesquisadora Lígia Bahia (UFRJ) pelo Cnpq (Conselho Nacional de Pesquisa /Ministério da Ciência e Tecnologia). Em assuntos dessa natureza estou de acordo que a melhor forma é buscar a conciliação das partes envolvidas, evitando-se sempre que possível a exploração dos fatos por canais que privilegiam a polêmica sem construtividade.
Entretanto, pelo porte da pesquisadora e a importância do tema investigado para o Sistema Único de Saúde (SUS), li o sumário executivo de Dinâmicas e Tendências do Mercado de Saúde Suplementar no Contexto da Regulação: Reestruturação Empresarial e Profissionalização da Gestão. Nessa leitura observei que o trabalho representa espécie de advocacy do usuário dos seguros ou planos de saúde que integram o componente suplementar do sistema de saúde brasileiro.
Entretanto tive dúvidas quanto a seleção amostral que apresentou 30 empresas "inovadoras", com base na oferta de menor valor mensal de comercialização, ranqueadas conforme o porte de clientela. Ainda que o custo menor possa indicar maior acesso da população de menor poder aquisitivo (classes C e D) a esse tipo de produto comercial, cumpre reconhecer que esse quantitativo de consumidores tem expressão amostral de uma população maior que é atendida por outros planos, não selecionados no estudo, mas com grande peso político-econômico nesse mercado hoje bastante aquecido pela estabilidade econômica, a melhoria do emprego e da renda dos brasileiros.
Ainda que desconheça quais os detalhes do que o edital do Cnpq tenha encomendado à pesquisadora, vejo que o trabalho traz dados importantes e de interesse para melhor estruturação do sistema de saúde brasileiro, especialmente no que concerne a bidirecionalidade de relações entre o SUS e o Sistema de Saúde Suplementar. Nesse tópico é ilustrativo o acanhamento de alguns planos de saúde no que respeita a relação número de usuários por hospital contratado.
A análise do comportamento dessa variável de pesquisa apresenta um cenário preocupante. Se considerarmos em termos gerais que 7 a 9% da população pode ser hospitalizada durante um ano, no caso de um plano de saúde, que foi vendido a 1.041.856 usuários, teremos que cerca de 94.000 dessas pessoas poderão procurar no ano os 45 hospitais contratados; e aqui não estamos considerando a variável especialidade, nem possíveis superposições de credenciamento dos hospitais por outros planos, o que mudaria todo o cenário de vagas disponíveis para a internação, sem a garantia de que veríamos situação melhor.
Certo, portanto, que a pesquisa nos traz fortes indicativos de que em termos hospitalares os planos pesquisados estão sub-dimensionados para atender a demanda de seus contratantes. O roteamento dessa demanda reprimida ao SUS agravará o impacto na rede hospitalar pública, que se comportaria como porta de saída para a ineficiência de cobertura dos seguros suplementares de saúde. Nesse sentido, a pesquisa demonstra que é imperativo que os dois componentes do sistema de saúde brasileiro - o SUS e a Saúde Suplementar - ajustem entre si modelo e procedimentos regulatórios que lhes garantam uma dinâmica operacional eficiente, visto estarem regidos pelos princípio geral de um sistema de vasos comunicantes. Contas públicas e usuários de planos ficariam agradecidos.

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O sumário da pesquisa Dinâmicas e Tendências do Mercado de Saúde Suplementar no Contexto da Regulação: Reestruturação Empresarial e Profissionalização da Gestão pode ser lido na página da Associação Brasileira de Saúde Coletiva - Abrasco. A doutora Lígia Bahia é pesquisadora do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ e vice-presidente da Abrasco.

sábado, 14 de abril de 2012

O Mundo Como Objeto e Representação

Fontaine des Quatre-Parties-du-Monde

The Fountain of The Observatory

 Fonte dos Quatros Continentes, por Itajaí de Albuquerque 

Adventures and Empire

Placa Comemorativa das Aventuras de Citroën. Musée des LÁrmée (Invalides), Paris.

Durante o século XIX nosso planeta ainda foi um grande desafio para o conhecimento, em especial com respeito ao interior dos continentes. A França, nessa época, desempenhou um papel de grande importância na exploração de regiões desconhecidas e quase sempre inóspitas. Foi o tempo das grandes explorações,  cabeças de ponte para o domínio global dos mercados na lógica colonialista dos Grandes Impérios, conforme descreveu Hobsbawn.
Destacam-se entre esses exploradores na Amazônia brasileira, o casal Henry (1859-1899) e Octavie Coudreau (1870-1910) - que realizaram viagens exploratórias comissionados pelo governo paraense na transição para o século XX. Henry Coudreau inclusive perdeu a vida na região, quando foi vitimado pela malária e veio a ser enterrado nas margens do Rio Trombetas, em local identificado no relatório que madame Coudreau assinou para o governo paraense.
A obra publicada desse casal de exploradores franceses da belle époque é vasta, apaixonante e cientificamente sólida, a ponto de até hoje constituir-se em referência para o estudo da região.Quem sabe os cineastas brasileiros, depois que retomaram as sagas biográficas com o filme Xingú, se interessem por filmar a epopéia dos Coudreau na Amazônia.
Ao visitar os Jardin de Louxemburg, em Paris, não pude deixar de conhecer mais adiante a homenagem dessa cidade aos aventureiros dedicados a explorar os diferentes cantos do nosso planeta, quando sequer tínhamos computador, satélites e celulares, mas tão só informações verbais conflitantes, documentos cartográficos nem sempre precisos, o amparo magnético das bússolas e muita, muita coragem temperada pelo romantismo e a visão de vida típicos da Belle Époque.
No Jardin dos Grandes Exploradores está localizada a Fonte do Observatório ou dos Quatro Continentes-, que eu considero entre as mais belas da Cidade Luz. Nessa fonte magnífica, o globo terrestre é sustentado por quatro mulheres que representam a Europa, a América, a África e a Ásia. A Oceania foi então excluída por razões unicamente estéticas. Na foto de que essa postagem é mera moldura, vemos apenas a representação da Ásia na composição. O projeto dessa obra de arte  foi concebido e desenvolvido a seis mãos, por Gabriel Davioud (conjunto), Emanuel Fremiet (os cavalos) e Jean Baptiste Carpeaux (as quatro mulheres) em 1879.
Ficamos um tempinho sentados e observando a Fonte dos Quatro Continentes, naquele fim de tarde em que o inverno parisiense anunciava sua despedida. Não pude na ocasião deixar de lembrar dos monumentos que restaram da economia da borracha em Belém, quando a municipalidade da capital paraense optara por um projeto urbano nitidamente de influência européia e à maneira de Haussmann, o projetista da Paris como hoje a conhecemos.

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1. Alguns títulos da obra de Henry Anatole Coudreau podem ser baixados dali, na Biblioteca Virtual que tem por patrono o lendário Curt Nimuendajú. Falar um pouco desse outro intérprete da Amazônia é, contudo,  conversa pr'adiante.
2. O Título da postagem remete à obra O Mundo Como Vontade e Representação, do filósofo Shopenhauer (1788-1860), que no seu início tem a famosa definição: O mundo é a minha representação. Até que ponto essa obra influenciou a geografia política do mundo, no século XIX?


quinta-feira, 12 de abril de 2012

(Des) Semelhanças na Produção Científica dos BRICS

O padrão de publicação científica nas quatro economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China está se tornando cada vez mais próximo ao de países desenvolvidos do G7. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores de cientometria selecionaram artigos publicados em uma ampla gama de disciplinas, nos anos de 1991, 2000 e 2009, e descobriram que a produção científica dos BRICs mudou gradualmente, para mais se assemelham aos países do G7.
Dos quatro países incluídos no grupo BRICS, foi observado que a China, em particular, havia diversificado sua produção científica, de maneira a obter um maior equilíbrio que se ajustasse ao rápido crescimento econômico que o país experimentava naqueles anos. Seus avanços em Matemática, Física e Engenharia permitem fazer associações com a política de desenvolvimento desse país.
O estudo também demonstrou que
após a Segunda Guerra Mundial, a China, Rússia e países do Leste Europeu deram atenção sustentada para a pesquisa básica, inclusive na ciência nuclear. Uma exceção a essa tendência é o Brasil. Enquanto os Estados Unidos e a Grã-Bretanha continuam líderes nas ciências da vida, o Brasil aumentou seus trabalhos publicados nessa área do conhecimento em 50 a 70 por cento.
Segundo Yang, um dos autores do estudo publicado na revista Scientometrics (14/03), "O Brasil tem sido tradicionalmente forte em biotecnologia e o governo do país tem estimulado o seu desenvolvimento". "Além disso, o Brasil é mais aberto para cooperar com o Ocidente e aprender com suas experiências, o que é diferente da ênfase chinesa em 'inovação auto-dependente".
Não há contudo consenso quanto a robustez dessas considerações. Para o pesquisador belga Ronald Rosseau, estudos sobre o comportamento dos BRICS na produção científica deveriam considerar não apenas a produção nacional de artigos científicos publicados, e sim associar a essa variável outras referentes à qualidade ou à eficácia dessas investigações, descrevendo qual seria o correspondente impacto social do que foi publicado.
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Adaptação do texto publicado no SciDev - Net. Em inglês e completo acesse-o aqui. 

Robôs na Medicina: O Quanto É Próxima a Fronteira?


Enquanto isso na sala de cirurgia:
- Como vocês podem ver, eu operei com instrumentos que atravessaram os tecidos por via da 4a. dimensão! Observem como esta cápsula curativa, em contato com o fórceps, também ajusta sua forma a quarta dimensionalidade...
(Adventure Comics, n. 303/1960)

Uma das fronteiras descritas pela ficção científica, na literatura e no cinema, são os robôs. É um mito que remete tanto a superação da queda no Gênesis, quanto ao esforço humano em superar-se rumo à imortalidade.
Em que pese estejamos distantes do pesadelo científico, narrado em Blade Runner (Caçador de Andróides), o uso dessas tecnologias em Medicina tem alcançado significativos avanços, especialmente em cirurgia.
Cabe porém salientar que o futuro da medicina robótica ( mais um campo de especialidade médica!) tem ainda um longo caminho à frente, que será pavimentado com base na aceitabilidade dos custos, na eficiência do treinamento de pessoal a ser especializado e na comprovação de que os resultados obtidos com o seu uso sejam, em termos de segurança e eficácia, superiores aos métodos convencionais. 
Na linha desse debate, e como introdutório a um tema que de rotina é explorado apenas como curiosidadade nas páginas de divulgação científica, recomendo o artigo de revisão Robotic Surgery (Cirurgia Robótica), publicado no BJOG An International Journal of Obstetric and Ginecology.

domingo, 8 de abril de 2012

Cinemateca Paraense

Nesse fim de noite, por recomendação de minha esposa, fui à Cinemateca Paraense e fiquei de queixo caído. O que alí vi foi cinema e antropologia amazônica na sua expressão melhor. Também nessa oportunidade atualizei meu conhecimento na obra do meu amigo Luiz Arnaldo Campos, carioca, mas paraensíssimo com honra e glória sagradas nas águas da Baía do Guajará.
Acessem por aqui, que lhes garanto que vale.