Agência FAPESP – A Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro (RJ), realizará o 15º Congresso Brasileiro de História da Medicina entre os dias 6 e 9 de outubro.
Da Agência Fapesp: O evento ocorrerá 59 anos depois de a mesma cidade, então capital federal, sediar o primeiro congresso na área. Em paralelo, será realizado o 2º Congresso de História da Medicina do Estado do Rio de Janeiro.
O congresso brasileiro contará com painéis sobre as histórias de diversas especialidades médicas no Brasil, como oftalmologia, cirurgia oncológica, obstetrícia, pediatria, cirurgia plástica, psiquiatria, endocrinologia e cardiologia.
Haverá sessões sobre instituições de ensino e tratamento médico no país, como a Escola Médica da Bahia, a Escola Médica do Rio de Janeiro, o Sanatório de Barbacena e a Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina.
As inscrições de trabalhos científicos podem ser feitas até o dia 30 de agosto.
Apesar de estarmos em condição humilde na década de 60, a vida de meu pai conhecera antes um período longo de bon vivant entre a infância e a maioridade, quando de súbito revezes familiares iluminaram para ele a crueza do mundo real. Se antes a boa fortuna dera ao meu pai as melhores oportunidades que um jovem podia ter naquela época, foram todas infrutíferas por razões muito superiores a ele, a que respondia com a imaturidade da idade, logo transformada em mágoa e revolta inconsequentes, aprisionando-o num círculo vicioso.
A queda no completo desemparo de proteção financeira, foi-lhe redentora e o libertou em definitivo para a vida que construiu com honestidade material e moral até os 61 anos, quando veio a falecer de súbito sem que me desse a chance de adentrar o espaço de seus longos silêncios, sempre invariáveis entre o fim da tarde e o início da noite, depois que retornava do trabalho. Quando questionado por mim, respondia com aquele olhar melancólico que já trazia de menino, e dizia com um quase sorriso, o cigarro na boca, que não era nada. Essa reserva com suas dores, hoje, tenho certeza, ele extendia até mesmo a minha mãe, como se estabelecesse a partir de si círculos concêntricos que compartimentalizavam os relacionamentos, como para atenuar choques e os proteger entre si de comunicação.
- Teu pai anda rezando, coisa rara. Ele não me disse nada, mas é sinal que ele está com algum problema! Na minha infância por diversas vezes ouvi de minha mãe esse comentario, sem que, depois, se tivesse notícia ou compreensão do quê buscava nos livros de kardecismo que ambos professavam.
Em termos de leitura o vi ler além de livros do Espiritismo – e só Alan Kardec – apenas os jornais diários e revistas de variedades, que amigos lhe emprestravam, e as coleções de Medicina e Saúde, que integralizou quando melhoramos de poder aquisitivo, junto com As Grandes Óperas. Entretanto, à medida em que eu crescia e conversávamos, evidências de que suas leituras não se limitaram a esses títulos ficavam mais claras. Se eu trazia para casa o trabalho escolar de resenhar e comentar algum capítulo de Os Lusíadas, ele com tranquilidade ouvia e comentava o que eu tinha escrito; se fosse necessário uma opinião sobre o Quijote, a Ilíada ou que raios seria aquela anotação sobre um tal Khalavelá que o professor Isidoro falara, também ele opinava. Eram ecos da formação do mundo que o abandonara, ou melhor, que ele em definitivo decidira um dia abandonar.
Meu pai, a saudade vai e vem como ondas, ora mais fortes, ora mais calmas, mas sempre bem-fazejas. Mar e saudade rimam? Ah, faz muito tempo!
Esta é a primeira edição do manuscrito do médico português Simão Pinheiro Morão, entitulado "Queixas Repetidas em Ecos dos Arrecifes de Pernambuco Contra os Abusos Médicos que Nas suas Capitanias se Observam em Dano da Vida de seus Habitadores" (1677). Foi publicado em 1965 pelo orgão governamental português Junta de Investigações do Ultramar em homenagem ao quarto centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro.
O doutor Simão Morão teve uma vida atribulada por ser cristão novo, sentenciado a terríveis humilhações e sofrimentos por praticar secretamente o judaísmo com sua família. Além de prisões, foi sentenciado a assistir o auto de fé do próprio pai, que nessa altura tinha 83 anos, e a usar para sempre uma roupa ridícula, o sambenito, que a Santa Inquisição impunha aos sentenciados, que assim os identificava como criminosos onde quer que fossem. O impacto da violência sofrida pelo médico por certo corresponderia àquela sofrida por Cândido, no mesmo lugar e pelo mesmo algoz, conforme seria narrado por Voltaire anos depois em ficção homônima (1759). No livro, a certa altura Cândido lamenta-se do destino e da violência cega, depois de ser brutalizado num auto de fé que sucede ao terremoto de Lisboa (1755): Se este é o melhor dos mundos possíveis, como não serão os outros! Se eu apenas fosse açoitado, como entre os búlgaros, ainda passava! Mas tu, meu querido Pangloss, o maior dos filósofos, ver-te enforcar sem saber por quê! Fugindo de tais perseguições, que lhe impediam exercer a profissão em Portugal, Mourão migrou para Pernambuco, no Brasil. Em Recife reiniciou a prática clínica, apesar de ainda o torturar o uso do sambenito, pois essa roupa era para ele uma pena perpétua. Assim, quando recuperara a condição de médico, por outra persistia nele a identificação humilhante de judaizante apenado, que o perseguia nas ruas e na casa dos seus pacientes, ou aonde mais fosse. Não suportando mais as humilhações por parte dos colonos, o médico português peticionou então ao Rei, para que o aliviasse da infame indumentária. A mercê real chegou-lhe depois de algum tempo, e animado com o perdão e o respeito readquirido, escreveu este manuscrito e um dos três primeiros livros médicos do Brasil Colônia, que é o "Tratado Único das Bexigas e do Sarampo" (1683), que, por via das dúvidas, assinou com o anagrama Romão Mosia Reinhipo. Ambos os trabalhos são clássicos da História da Medicina do Brasil e trazem no seu conteúdo não só o estado da arte da médica daquela época, mas uma visão crítica sobre os modos como a profissão era praticada.
Tem sido com frequencia divulgado na mídia leiga notícias com respeito a inovações tecnológicas da indústria farmacêutica que, após serem lançados no mercado, demonstram trazer riscos para saúde humana. Os mais recentes foram o casos dos medicamentos Avandia (rosiglitazona), usado no tratamento do Diabetes Mellitus, e do antipsicótico Seroquel (quetiapina). A gravidade dos fatos demonstram que impõe-se uma discussão mais profunda do porquê estamos introduzindo no mercado produtos de saúde que, ao fim, arriscam a segurança dos usuários, expõem empresas a processos milionários nos tribunais, enquanto o setor se fragiliza com o desabamento de ações nas bolsas de valores. A pressa quase sempre não atende à perfeição. O artigo publicado na Natureaponta quais seriam os caminhos para desenvolver e produzir moléculas de medicamentos mais seguras: fortalecimento do papel regulatório do Estado, que em conjunto com as universidades, centros de pesquisa e indústria farmacêutica, deve desenvolver um modelo de aprovação de medicamentos que responda pela segurança dos medicamentos, sem que ao fazê-lo crie obstáculos ao desenvolvimento de inovações tecnológicas e a produção da indústria farmacêutica.
O macaquinho da foto é considerado o menor do mundo e se chama Callithrix pigmaea. Seu habitat é a região Amazônica. Essa vida tão delicada vive na copa das árvores e está ameaçado de extinção, decerto pelo desmatamento que modifica seu nicho ecológico de forma drástica. O exemplar fotografado foi encontrado recentemente escondido entre as roupas de um viajante peruano. Não há informações se ali estava por circunstância ocasional ou se era espécie de mascote do homem. Os índios, por exemplo, utilizam o C. pigmaea nos ombros e nos cabelos, para que ele de conta dos piolhos que ali queiram se instalar. Tem 13 cm de tamanho e depois de ser tratado no centro de recuperação para onde foi enviado, terá aspecto menos debilitado.
Não, essa pergunta não se refere aos protestos nas ruas de Davos na Suiça, cidade em que tradicionalmente os países ricos se reúnem para avaliar e tirar consensos sobre questões econômicas mundiais.
A indagação foi feita a um conjunto de cientistas, a partir da hipótese que o desaparecimento dos mosquitos poderia trazer benefícios ao homem pelo controle de doenças gravíssimas como a Malária, a Febre Amarela, a Filariose e as Febres Hemorrágicas Virais. Com um adendo: desde que a extinção daqueles insetos não tivesse consequências para o equilíbrio ecológico. Em que pese que a Humanidade se beneficiaria com a iniciativa, o resultado final poderia representar um tremendo fracasso em termos ecológicos. Saiba como, conhecendo a opinião dos cientistas que analisaram a questão para a revista Nature.
Crescimento econômico impulsiona ciência no Brasil
Nesta semana, o ministro de C&T anunciou R$ 800 milhões para pesquisas. Aumento da verba veio por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. As verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) mais que dobraram desde 2003. Com o crescimento econômico do país, as empresas que destinam parte de seus impostos ao FNDCT contribuíram com mais dinheiro. Em 2010, o fundo arrecadou R$ 2,7 bilhões, o maior valor desde sua criação, em 1969. Com isso, o governo vai investir mais de R$ 800 milhões em editais de pesquisa, conforme anunciado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, na 62ª Reunião Anual da SBPC.
Foi lançada recentemente pela Editora WMF Martins Fontes a novela gráfica Logicomix - Uma Jornada Épica em Busca da Verdade, escrita por Doxiadis e Papadimitriou, com arte de Papadatos e Di Bonna. É um tema inusitado para uma forma literária que em geral explora o terror, o suspense, o erótico e a aventura. Aqui trata-se de narrar a biografia do filósofo e matemático Bertrand Russell, mas fazendo-o ao modo de um romance da ciência e da matemática no século XX. Os coadjuvantes na história são gente como Ludwig Wittgenstein, Gauss, Leibniz, Hilbert, entre outros. Vale conferir porque esses quadrinhos estiveram na lista das obras mais vendidas do New York Times e receberam recomendação entusiástica do inglês The Guardian. Nas livrarias ao preço de R$52,00 - R$65,00.
Os astrônomos nunca estiveram tão ocupados: Olho para nossos estudantes e ... há menos aprendizado e mais pressa ... nós somos apanhados nesta corrida como fôssemos cobaias de laboratório que não sabem exatamente o que perseguem. Entre os biólogos o sentimento é semelhante: No meu atual estágio de carreira universitária, a tecnologia tornou-me um dos profissionais mais bem pagos do campus. Mas, apenas para manter esse status, sou sempre obrigado a fazer muito mais do que antes vinha fazendo. Estas citações procedem do artigo Assessing the Future Landscape of Scholarly Communication (Avaliando o Cenário Futuro da Comunicação Acadêmica [go.nature.com/6Y4b1g]), que informa sobre a pesquisa com 160 acadêmicos realizada no início do ano por Diane Harley e colegas na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Nas duas principais áreas científicas abrangidas pelo estudo - Biologia e Astronomia - publicar em periódicos revistos por pares continuará a ser o principal marcador do desempenho acadêmico. Mas a pesquisa também revelou diferenças lamentáveis entre as duas disciplinas com respeito a modos informais de comunicação entre pares acadêmicos. Sem dúvida o processo de publicação formal é visto como passo necessário para o registro dos resultados de pesquisa, e a revisão por pares formalmente acrescenta valor nesse processo, mas a comunidade de Astronomia efetivamente antes de encaminhar seus artigos para publicação busca a opinião de outros acadêmicos, ainda na etapa de pré-impressão. Nesse momento, os astrônomos utilizam o servidor arXiv.org, um fórum acadêmico altamente confiável, através da qual se pode depositar a versão original de um documento e receber por email comentários privados que poderão complementar o processo de revisão por pares do artigo a ser impresso. Esse processo pode responder pelo baixo nível de erros em artigos encaminhados para as revistas científicas. Os biólogos tendem contudo a evitar o compartilhamento aberto de tais primeiros rascunhos. Eles alegam que a amplitude de sua comunidade acadêmica e o ambiente de competitividade existente os deixam relutantes quanto a adotar o modelo dos Astrônomos. Essa desconfiança é lamentável, pois tudo indica que o compartilhamento dos artigos em servidores na etapa de pré-impressão eleva o padrão de qualidade da literatura científica. A disposição para depositar o original no arXiv, contudo, está limitada à extensão da abertura científica dos astronomos, situadando a discussão em âmbito privativo. A experiência da Nature em revisão por pares em aberto (go.nature.com / N67mFk) demonstrou, à vista da falta de comentários sobre artigos nas revistas do grupo Nature, os pesquisadores pouco produtivo proceder discutir artigos antes ou após a publicação. Não só eles alegam estar ocupados, como atestam as citações acima, como não vêem vantagem na atividade que lhes traz algum risco de fazer uma crítica errada ou uma declacração inconveniente em público. Além disso, os astrônomos e biólogos registram um desencorajamento ativo nos blogs - uma forma de comunicação que carrega aos olhos dos acadêmicos carece de selo de confiabilidade ou de prestígio. Essa imagem reativa ao debate interativo da ciência na internete está mais ampliadoa em uma nova pesquisa, If You Build It, Will They Come? How Researchers Perceive and Use Web 2.0 (Se Você Construir, Eles Virão? Como os Pesquisadores Percebem e Usam a Web 2.0), a ser publicado ainda este mês pela Rede de Informação em Pesquisa do Reino Unido. No entanto, os astrônomos e biólogos entrevistados na pesquisa da Universidade da Califórnia afirmaram com ênfase que gostavam de dar palestras públicas e contribuit vcom opiniões nos veículos de comunicação de massa. Aqui, certamente, é uma oportunidade para os blogs adquirirem valor reconhecimento acadêmico- ou pelo menos pode ser a chance de apresentar na página do laboratório uma pesquisa em uma linguagem compreensível ao leitor comum. As instituições precisam reconhecer e incentivar a superação dessas limitações de forma explícita, não apenas como uma questão de rotina, mas especificamente como expressão de alta iluminação, se promovê-las em momentos de debate público relevante ou nas ocasiões em que são discutidos os interesses dos cientistas. Web 2.0 ainda não tem o que é necessário para adicionar um valor significativo para a abertura do discurso acadêmico, mas pode certamente fazer a diferença para o acesso do público à ciência.
A invenção do microscópio óptico no século XVII revolucionou a história da Humanidade, pois nos permitiu conhecer a estrutura e as leis de um mundo oculto aos nossos olhos. A Exposição Científica de Verão da Royal Society apresenta uma série de micrografias realizadas com macrolentes especiais para microscopia, denominadas mesolens, que impressionam pela precisão com que desvendam detalhes da organização dos seres vivos. As fotos acima são da exposição e representam células do sistema nervoso de rato, coradas com uma substância fluorescente especial. Em verde observamos os neurônios com seus prolongamentos chamados axônios, em vermelho as células gliais e em azul o núcleo dos astrócitos, células especializadas na sustentação e na nutrição do tecido nervoso.