sábado, 24 de outubro de 2009

A Fraternidade È Vermelha

No cotidiano da vida, as sociedades reconhecem entre seus membros aqueles em situação de maior risco a agravos. Dentre todos, os mais expostos, e que requerem por consequência atenção e proteção das autoridades são as mulheres, os idosos e as crianças. Tal necessidade confirma-se dolorosamente por ocasião dos conflitos armados.
Nessas ocasiões, quando por regra humanidade é produto de rara oferta, em meio a desagregação do Estado, não poucas vezes frágil e titubeante na condução de políticas públicas em tempos de paz, o consolo chega às populações pela obra humanitária da Cruz Vermelha Internacional. Aqui, uma prova desse trabalho de proteção .

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Nobel Mais Que Merecido

Os cientistas que possibilitaram a inovação das fibras ópticas e o surgimento da câmara digital dividem o prêmio Nobel de Física. Nada mais justo. Além de provocarem uma revolução tecnológica, contribuíram de forma decisiva para que o mundo se aproximasse ao modelo de uma aldeia global como Marshall Mcluhan pensou. Mas a democratização digital e a reversão de outras desigualdades sociais, inclusive em ciência e tecnologia, andam a passos de cágado.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Falta Alguém no Ig-Nobel

Com a presença de dez prêmios nobeis foi realizada na Universidade de Harvard a premiação do Ig-Nobel. O prêmio é uma forma da ciência ironizar cientistas que produzem trabalhos destituídos de valor para o conhecimento científico. Este ano, dentre os premiados, destacam-se Kathy Whitcome e Daniel Liberman, ambos publicaram na revista Nature em 2007 que a causa para mulheres grávidas não caírem de frente deve-se ao fato de que todas tem lordose - o aumento acentuado da curvatura do terço inferior da coluna vertebral, que fisiologicamente está associada à gravidez. Tudo bem que uma das maiores revoluções científicas da humanidade foi iniciada com a queda de uma fruta sobre a cabeça de Isaac Newton, mas a Nature, que é considerada uma das mais exigentes e prestigiadas revistas científicas do mundo, bem poderia levar o Ig-Nobel na categoria jornalismo científico.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gestão de Tecnologias no SUS - A Inovação Necessária

A Comissão Intergestora Tripartite (CIT) aprovou na última reunião a proposta de política de gestão de tecnologias de saúde idealizada no Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde em 2006. A aprovação é um passo importante, mas a certidão de batismo só virá com a publicação de portaria ministerial. Enquanto isso, para dar bom futuro à política, pegue, portanto, faz-se necessário dar a proposta de política um caráter menos genérico que o atual, face aos desdobramentos orçamentários e financeiros necessários a sua implementação nos estados e municípios.
Uma política de gestão de tecnologias de saúde está para além da elaboração de estudos de avaliação de tecnologias de saúde e da formação de pessoal, ambos produtos da mais clara necessidade para o fortalecimento da capacidade gestora do Estado. Seu detalhamento requer considerar um modelo executivo de hierarquia ágil que estimule competências regionais e considere o atual cenário do parque tecnológico do SUS, sua distribuição se em acordo com as necessidades locais de saúde, além de protocolos para incorporação, manutenção e retirada de tecnologias obsoletas e mapas de rotas tecnológicas com base no horizonte industrial e sanitário do país. Sem estes cuidados será apenas uma meia-sola, ainda que chuleada com boas intenções.

Estatinas e a Prevenção de Eventos Cardiovasculares

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, em colaboração com a Agência de Saúde Suplementar (ANS) e Ministério da Saúde, lança mais um Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias de Saúde (BRATS) para responder questão sobre o custo-efetividade das estatinas na prevenção primária de eventos cardiovasculares. O termo custo-efetividade pertence à economia da saúde e indica se o custo de uma tecnologia é adequada ao benefício real que ela assegura. Trata-se de um dos melhores números do BRATS já produzidos. Obrigatório para gestores da saúde, médicos clínicos e cardiologistas.

domingo, 20 de setembro de 2009

Nem Só de CO2 Vive um Flex

A recente ferramenta** estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que utiliza a chamada Nota Verde*, põe as montadoras brasileiras, as distribuidoras e a rede de comercialização numa sinuca, ao identificar que veículos flex (bi-combustíveis) apresentam emissão preocupante de poluentes como resultado de seu funcionamento. Trata-se de uma iniciativa meritória do IBAMA para a proteção do direito do consumidor e para o estímulo à pesquisa e a inovação necessárias a redução da emissão de poluentes por veículos automotores.
* considera a média de emissão de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio.
** com acesso público.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Segundo MONICA, Ter Coxão É Bom

O projeto de pesquisa MONICA (monitoramento de tendência e determinantes de doença cardiovascular) acompanhou durante dez anos a saúde de 1436 homens e 1380 mulheres dinarmaquesas , para identificar relações entre circunferência da coxa, doença cardiovascular, doença coronariana e a mortalidade geral. Em 1997 e 1998 o grupo foi avaliado quanto a altura, peso, circunferência da coxa, quadris, cintura e composição corporal.
A conclusão do estudo, divulgado esta semana no The British Medical Journal, foi de que existe evidência científica que demonstra haver relação entre circunferência de coxa abaixo de 60 cm e maior incidência de doença cardiovascular em geral ou para morte prematura.
Os resultados foram todos rigorosamente avaliados do ponto de vista estatístico e vem ao encontro de conclusões observadas em outros estudos com respeito ao valor dessa musculatura para a saúde: a existência de relação entre massa muscular dos membros inferiores e diabetes tipo II, ou o fato de que a medida da coxa por exames de imagem podem ser melhor que o índice de massa corporal para o prognóstico da evolução da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A conclusões de MONICA representam também excelente evidência para a importância de adortar-se estilos de vida saudáveis. Para leitura completa do artigo publicado no BMJ, clique aqui.

Prevenção da Violência Baseada em Evidências

Violência é um determinante social de saúde. Por essa razão sua prevenção deve constar de forma séria na agenda governamental das autoridades de um país, sejam elas do legislativo, do judiciário, presidentes, governadores ou prefeitos. No Brasil, afora uma ou outra experiência meritória local, os programas de prevenção à violência são desarticulados e a criminalidade segue fazendo vítimas.
Numa questão com tal complexidade social, prevenir a violência vai mais além do que a necessária repressão policial à criminalidade, que, por sua vez, também treina seus combatentes, arma-se melhor do que a polícia, faz atividade de inteligência, corrompe e, pior, faz investimentos sociais ao modo de um estado paralelo. Sem termos a compreensão da natureza multifatorial da violência, não saberemos como preveni-la, não teremos como escapar da situação de guerra civil que ameaça muicípios de médio e grande porte. Evidências de como superar a violência nas cidades estão aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Twin Peaks e a Bioética

Os fatos ocorridos em uma clínica de reprodução assistida na cidade de São Paulo servem de alerta aos secretários municipais de saúde e aos orgãos reguladores do exercício profissional nos estados.
A sensação que temos sobre o lastimável episódio é estarmos em uma ambiência a Twin Peaks, o filme em que o diretor David Linch demonstra as sombras e as camadas com que uma sociedade desfoca o que em si a nega como expressão da ética protestante (Weber) e sua correspondência na modelagem do mito fundador da história norte-americana .
A competência regulatória em bioética integra os atributos de uma autoridade sanitária, está claro. Daí o porquê, no campo da medicina reprodutiva, tenhamos de ir para mais além que a boa intenção do legislativo paulista. É imprescindível que, sem demasia legislativa, o Brasil disponha de um corpo legal que discipline de forma distinta e correlata ambas as três matérias.

Bom Senso e Canja de Galinha Não Fazem Mal a Ninguém

O medo epidêmico é um velho companheiro dos homens. Desde a Antiguidade a história registra o comportamento humano frente a ameaça de doenças infecciosas na comunidade. Na Idade Média micro-organismos viajavam com os exércitos das cruzadas e nas caravelas pelos mares, polulavam das insalubridade urbana e populações inteiras erravam pelos caminhos, tangidas por epidemias mortais como a temível Peste Negra. Nesses tempos pouco ou nada se podia fazer em termos de saúde pública que protegesse a população.
Frente ao medo, logo pavor e terror, a sociedade ficava a mercê do mágico e da frágil ciência da época. Cidades fechavam suas portas ao livre trânsito e comércio, desconhecendo que o principal risco para a Peste Negra, o rato, ganhava assim abrigo e proteção nas valas e cortiços com o agravamento das condições sócio-ambientais. Ao lado de súplicas aos réus, sonorizadas pelo badalo de sinos e as prédicas religiosas, coexistia a noção do contágio pelo ar (miasma) e a inspiração bíblica da quarentena aos suspeitos do mal epidêmico.
Mudamos, decorridos mais de dois mil anos de convívio com epidemias de variada gravidade e causalidade?
Sem dúvida. Hoje contamos com um arsenal científico que nos protege e socorre frente as armadilhas da seleção natural, ainda que vez por outra nos deparemos com atos de governo que demonstram a persistência do medo epidêmico em sociedades industrializadas. É quando constatamos que ao serem inspirados por aquele, tais atos governamentais não apenas afrontam o bom senso, mas até os princípios constitucionais. Para saber mais, clique aqui.