sábado, 30 de janeiro de 2010

Recesso

O Voo de Galinha dará uma pausa até a sexta-feira da próxima semana. Por essa razão as postagens no blogue terão a frequência diminuída.

Copaíba em Teste para Tuberculose

Pesquisas em animais sugerem que o óleo de Copaíba pode matar o Mycobacterium bovis, bacilo aparentado daquele que provoca a tuberculose em humanos. O estudo está sendo conduzido na Fiocruz e prosseguirá para avaliar a distribuição e a toxicidade que a substância pode provocar no organismo das cobaias. O objetivo é certificar a copaíba como fármaco, pois hoje ela é comercializada no Brasil como produto natural. Entretanto, observamos que esta notícia não recomenda ou aconselha o uso do óleo de Copaíba no tratamento da tuberculose. Seu objetivo único é divulgar uma pesquisa científica que, acaso chegue a bom termo, poderá ter um impacto extraordinário no tratamento de uma doença negligenciada pela grande indústria farmacêutica mundial.

São Demais os Perigos da Modernidade

A mídia encerrou a semana e o mês, alardeando o recall dos carros da Toyota, comercializados com pedais que podem não desacelerar. Claro que o defeito de série é uma realidade permanente em um mundo industrializado como o nosso, a que estão sujeitos consumidores e os programas de segurança e qualidade das indústrias globalizadas ou não. Conforme bem demonstra o que alguns consideram até agora como os 10 piores recalls da história.

AIDS e a Boa Economia da Saúde

Assegurar medicamentos eficazes e a custo adequado são ações determinantes para o sucesso de sistemas de saúde universais, ao modo do que é o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, porque contribuem para a garantia do acesso ao melhor tratamento disponível. Mais ainda quando consideramos medicamentos de ponta, que, por estarem fundamentados em sólida comprovação científica de custo e resultado clínico, são imprescindíveis para a vida de quem sofre com uma doença mortal como a AIDS.
Nesta semana, o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde comunicou que o SUS economizou 12% nos gastos com compras de medicamentos para tratamento da AIDS, neste ano. A economia de quase R$ 120 milhões, decorreu do uso do poder de compra do governo brasileiro junto as grandes multinacionais farmacêuticas, do recurso extremo da quebra de patentes, quando falham as negociações, da capacidade dos produtores públicos de produzir esses medicamentos e também da importação de genéricos.
Não à toa o Brasil disponibiliza hoje para a população o maior programa público de tratamento da AIDS no mundo, quer o olhemos em suas ações preventivas, quer o olhemos por suas ações de tratamento, ou por seus resultados quanto a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes acometidos pela doença. Detalhes sobre a comunicação da diretora estão aqui.

Se Não Podes Ajudar, Não Atrapalhes

Tenho evitado o uso da palavra imperialismo, por considerá-la algo gasto e datado. Mas palavra melhor não me ocorre, quando leio que 100 pacientes haitianos podem morrer sem atendimento adequado, um deles com tétano (sim, senhoras e senhores, o milenar tétano!), apenas porque autoridades norte-americanas intrometidas na Haiti, não conseguem fazer valer princípios humanitárias sobre as rígidas regras de entrada de estrangeiros na maior potência militar do planeta, em seu estado permanente de guerra.
Todo o imbróglio seria evitado pelo Peace Corps de Obama, e com isso vidas seriam salvas, se houvesse o mínimo discernimento prático de que bastaria transferir os pacientes aos dois únicos países com sistemas públicos e universais de atenção à saúde no hemisfério sul das Américas: a Cuba e ao Brasil, que além de deterem competência tecnológica suficiente para salvar essas vidas, não estão submetidos aos limites de segurança a que os EUA continuamente estão submetidos. Mas, falávamos de imperialismo, não é mesmo?

Os Computadores Como Vilões

Aos apreciadores de boa ficção científica recomendo uma olhada na matéria The Movies' Most Evil Computeres Villains (Os Mais Maléficos Computadores Vilões do Cinema), publicados na página da Time. E aproveitando o gancho, cliquem no link ao pé da página, que os levará até aos mais impressionantes robôs já vistos nos filmes.

Fraudes Científicas à Chinesa

A China é uma potência integrada ao horizonte do século XXI. Contudo, o seu meritório esforço de industrialização tem sido associado a sérios problemas quanto a qualidade do que os chineses levam à venda no mercado internacional. Antes do mercado, contudo, em ciência também existem problemas.
Editorial da Acta Chrystallographica informa que, desde 2007, pesquisadores da Jinggangshan University publicaram na revista cerca de 70 artigos completamente falsos.
Dizem os editores:
Quando discutimos o problema com as editorias de outras revistas do grupo Acta, todos ficaram surpresos, porque, como nós, eles assumiram que era quase inconcebível que uma estrutura de cristal falsificado fosse submetida para publicação.
Infelizmente, agora temos de fazer um balanço e decidir que medidas são necessárias para evitar novas fraudes científicas. Para esse fim, o software de validação checkCIF é aprimorado continuamente e fornece uma avaliação exaustiva dos dados e da qualidade estrutural com vistas a consistência científica.
É digno de nota de ressaltar que os problemas atuais não poderiam ser facilmente descobertos sem a disponibilidade de ferramentas tecnológicas adequadas, cada vez mais importantes para as revistas científicas que publicam informação sobre estruturas cristalinas.
Desculpas apresentadas, desculpas registradas para serem ponderadas. Assim, concordo com o editor da The Lancet, quanto a ser impressioante que um erro nessa escala não fosse identificado pelos critérios rígidos de revisão por pares, que antecedem a publicação das comunicações científicas.
De qualquer maneira, o fato é grave e lembra-nos o caso do agrônomo Trofim Lyzenco, cientista com status de herói na extinta URSS, que fraudava resultados de pesquisa na medida em que crescia seu poder junto a nomenclatura, e a sua correspondente capacidade de silenciar críticas a seus assombrosos trabalhos, quase todos irreprodutíveis. Em termos científicos a consequência das fraudes de Lysenco foi um brutal freio nos estudos soviéticos sobre genética.
Cabe porém destacar que a situação de fraude identificada e denunciada pelos editores da Acta Chrystallographica repercutiu dolorosamente no governo chinês. O Ministério da Educação, na semana passada, nomeou comissão para a identificação de fraude e plágio em pesquisas desenvovlidas no país.
Claro que a atitude do governo chinês é elogiosa, mas, junto com a decisão de usar pente fino para identificar possíveis falsificações científicas, existe a absoluta necessidade das autoridades chinesas atentarem sobre quais as causas que levam a tais escândalos - dessemelhantes e com raiz comum, como o são a produção de remédios falsificados, de rações letais para animais e o achado de cristais que em verdade não passavam de lantejoulas.

Fontes consultadas:Acta Crystallographica, The Lancet, SciDev.

Saramago e a Solidariedade ao Haiti

O Nobel de Literatura (1998) José Saramago lançou ontem nova edição de um dos seus melhores livros, a "A Jangada de Pedra". A renda auferida com a venda dos volumes servirá de auxílio às vítimas do terremoto do Haiti, por meio da Cruz Vermelha de Portugal. Em nota à imprensa, o escritor português diz que "se chegássemos a 1 milhão de exemplares vendidos - e o sonho é livre -, seriam 15 milhões em auxílio a esta calamidade, ainda que frente à magnitude do sofrimento dos haitianos não fosse mais que uma gota d'água".
Aos que estiverem interessados em associar-se ao gesto generoso de Saramago, o livro já está à venda nas livrarias portuguesas, ou também pela página eletrônica da Bertrand Livreiros.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Viagra Argentino

Cristina Kirchner, atual presidente da Argentina, afirma que ingerir carne de porco tem resultados superiores ao Viagra (Sildenafil). Aviso aos incautos que não há qualquer referência cientifica que comprove o afirmado, embora dele se conclua que o casal Kirchner só pensa naquilo - e isto pode ser evidência que explique a situação sócio-econômica dos argentinos, com seus inescapáveis reflexos sobre, digamos, a alcova.

A Banalidade do Mal

Hoje lembramos o Holocausto, na data em que o Exército Vermelho Soviético liberou Auschwitz, um dos mais bárbaros campos nazistas de extermínio, situado no sul da Polônia. Que o mundo lembre com reflexão profunda, 65 anos depois, o que antes jamais fora executado com amoralidade científica e tecnológica: a destruição em massa de pessoas desarmadas, vítimas da intolerância cultural, sexual, política e religiosa, que na condição de crianças, adolescentes, adultos e idosos tornaram-se escravos, coisa ou mercadoria a ser consumida pela besta-fera do nazi-fascismo, inspiradora do pior conflito já experimentado pela Humanidade.