quinta-feira, 11 de junho de 2009
A Gripe Suína (H1N1) É Pandêmica
domingo, 31 de maio de 2009
A Necessidade da Ciência
O presidente Obama busca estabelecer um divisor de águas entre o seu governo e os desacertos da política de ciência e tecnologia da administração do antecessor George W. Bush Junior. O discurso aqui reproduzido foi feito na Academia Nacional de Ciências em abril passado.
terça-feira, 26 de maio de 2009
A Cochrane Library e o Descuido do Deja Vu?
Em artigo publicado na Science desta semana, Couzin-Frankel comenta o erro da ferramenta Deja Vu, que listou 2879 documentos da Cochrane Library como suspeitos de plágio científico. O equívoco levou os dirigentes do Deja Vu a rever a classificação dos trabalhos e, por consequência, criou uma nova categoria, a de estudos sancionados. Penso que a emenda soa pior que o soneto, pois ao incluir um trabalho na categoria sancionado a Deja Vu não deixa de informar ao consulente que o conteúdo do trabalho em que tem interesse foi passível da suspeita de fraude. Policial demais para a comunidade científica, que, por tradição, detesta essa palavra tanto quanto aquela que designa a cópia intencional ou não de um objeto, o plágio.
* O sentido original do termo se refere aos efeitos adversos à saúde de seres humanos, relacionados ao uso da tecnologia da informação, como por exemplo sistemas que controlam à distância a administração de medicamentos ou o resultado de exames laboratoriais em idosos.
Brindes e Prescrição Médica
No contexto norte-americano, a pesquisa concluiu que as estratégicas de mercado influenciam sim o ato médico na razão inversa da política das escolas médicas quanto ao controle do marketing farmacêutico, seja ele constituído da simples distribuição de bugigangas, de pagamento despesas para participação em congressos ou do financiamento de pesquisas clínicas.
No Brasil o Código de Ética Médica e resolução do Conselho Federal de Medicina tanto proibem aos médicos prescrever sob influência de terceira parte, quanto a não declarar terem recebido financiamento da indústria dos produtos de saúde para realização de trabalhos científicos.
domingo, 24 de maio de 2009
Cinema, Epidemias e Outra Idéias
A chamada 7a. arte foi produto da notável espiral de conhecimento acontecida a partir dos últimos vinte cinco anos do século XIX, consolidando-se mais ou menos ao modo como a conhecemos hoje com a sonorização dos filmes no final dos anos 20. Como exemplo de um tempo-manancial de inovações tecnológicas, basta-nos recordar que enquanto os irmãos Meliés maravilhavam os espectadores parisienses com a projeção do L'Arrivée d'un Train en Gare, o pesquisador alemão Röntgen produzia a primeira imagem radiológica de um ser humano. Imagem médica e arte cinematográfica nasceram assim juntas no mês de dezembro de 1895.
Desde então o cinema sofreu um sem número de inovações que o incrementaram com técnicas e tecnologias que permitiram registrar com fidelidade o mundo real ou mesmo recriá-lo em direçao a um futuro imaginado. Ao contrário da pintura, da literatura e da fotografia, o cinema além de se distinguir com seus planos, cortes e ritmos narrativos próprios é produto do trabalho coletivo de pessoas especializadas nessa arte.
Dentre os temas dramáticos que o cinema tem abordado, destacam-se aqueles relacionados às ameaças à saúde humana. Em tempo de gripe suína (H1N1), Pânico nas Ruas (Panic in the Streets), dirigido pelo cineasta greco-americano Elia Kazan em 1950, ilustra essa preocupação. O filme é um clássico do suspense e do chamado filme noir e nos conta a estória de um legista norte-americano (Richard Widmark) com o desafio de encontrar em 48 horas um criminoso (Jack Palance), contaminado com uma doença transmissível e mortal capaz de iniciar uma epidemia sem precedentes em Louisiana.
Com a dialética clássica dos folhetins, da oposição do bem ao mal, mas sem dúvida refletindo o macartismo e um eugenismo latente, Pânico nas Ruas apresenta o embate entre os defensores da cidade contra mazelas sociais e a doença de causalidade biológica. Em domínio público nos EUA, esta obra está disponbilizada na rede mundial de computadores. Cliquem aqui e boa diversão.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Science: Governo Federal Elogiado por Células Tronco
domingo, 10 de maio de 2009
O Mapa Mundi da Gripe Suína
Um Denorex Chateia Muita Gente, Seis Muito Mais
O Salto Brasileiro em Publicação Científica
O Brasil aumentou seu desempenho em ciência e tecnologia. Conforme anunciado pelo Ministério de Educação nesta semana, o país é o décimo terceiro colocado na classificação mundial de produção científica, integrando um seleto grupo de megaprodutores de ciência como Estados Unidos, Inglaterra, França, Canadá, Austrália, China e Índia. O Brasil ficou a frente da Rússia, outrora poderosa nação de perfil científico-tecnológico, especialmente na área militar, quando disputava como URSS a hegemonia política mundial com os EUA.
Esse impressionante salto olímpico brasileiro na produção científica é marcada por um aumento de 56% no total de artigos publicados, conforme identifica a bibliometria do Web of Science: saltamos de 19.436 artigos científicos publicados em 2007 para 30.415 em 2008. Esse fato inquietou o jornalista científico Marcelo Leite, do jornal Folha de São Paulo, que no artigo Zebras e Cavalos** indaga qual a explicação para esse desempenho. Ainda que não contradiga o fato, nem ofereça uma resposta definitiva que o explique ao leitor , o jornalista paulista argumenta que a inaudita produção está relacionada a que o Web of Science ampliou sua base de dados e incluiu mais revistas científicas brasileiras, sugerindo com esse argumento que o noticiado é passível de ser entendido como o mais do mesmo.
Decerto não será esta a resposta que fará distinguir as zebras dos cavalos, figura a que recorre o jornalista para ilustrar a precedência explicativa do simples sobre a exceção, conforme recomenda a velha máxima dos clínicos avessos ao estilo bombástico de House. Contudo, para que o conselho hipocrático se imponha, é absolutamente necessário que o indagador explore todas as possibilidades simples antes de concluir que raridades estejam implicadas na causa do fenômeno que desafia a explicação. Assim, com respeito a pergunta sobre a causa do Brasil estar publicando mais artigos científicos atualmente, para que a respondamos de modo criterioso, devemos considerar as políticas públicas que certamente estão implicadas no desempenho elogioso da pesquisa no país, e que Leite não considera no artigo publicado no domingueiro caderno Mais.
A exemplo do quanto políticas públicas são importantes para evitar equívocos de análise, nos últimos oito anos ,o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Saúde, Fundações de Amparo à Pesquisa e Secretarias Estaduais de Ciência e Tecnologia iniciaram um movimento de verticalização do financiamento à pesquisa em saúde que derivou em investimentos na ordem de mais de 500 milhões de reais entre 2003-2009 para financiamento de quase 2500 projetos. Comparativamente a 2002 o crescimento é exponencial, se olharmos que naquele ano o total investido pelo Ministério da Saúde arredondava algo em torno de 100 mil reais para o financiamento de meia dúzia de pesquisas.
Compreende o óbvio que esse investimento setorial na pesquisa levou a um conjunto de derivadas em que estão incluídas a produção de dissertações e teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado e um conjunto de artigos científicos a elas diretamente referenciados. Tal esforço para fortalecer a pesquisa em saúde também foi organizado em campos até então inéditos no histórico institucional do Ministério da Saúde. Em parceria com a farmacêutica Roche, foram selecionadas e levadas a Lausanne (Suíça) um grupo de pesquisadoras brasileiras para estágio de pós-doutorado, ainda em curso, e, em abril passado, os Ministérios da Educação e da Saúde celebraram convênio para lançamento de edital conjunto para financiamento de mais bolsas de pós-doutorado na área da saúde que, em nove anos, garantirá recursos na ordem de 75 milhões de reais.
Contudo, enquanto o perfil de produção científica ascendente se consolida, por outro lado, não demonstramos a mesma competência em levar o conhecimento científico ao mercado. Conforme demonstra o gráfico acima*, publicamos sempre muito, mas patenteamos muitíssimo menos. Este, hoje, constitui um grande desafio para os gestores de políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação no Brasil. E requer remédios cavalares que nos garantam não só a fama de país pesquisador, mas de país inovador pelo impacto que o segundo perfil possui para positivar nossa balança comercial em alguns produtos estratégicos para o setor saúde.
* Duplo clique para ampliar a imagem.
** Acesso on line apenas para assinantes da Folha de São Paulo ou do provedor UOL.