O jornalista-blogueiro e doutor em Ciência Política Leonardo Sakamoto aponta para o que ele considera a coluna vertebral do comércio ilegal de madeiras na Amazônia: o mercado interno brasileiro. Se de fato for esse o sustentáculo da máfia que explora um negócio extremamente lucrativo, a solução do problema está na cooperação efetiva entre os governos federal e dos estados. A energia para garantir os resultados pretendidos sem dúvida derivará menos da representatividade do que da vontade política, considerando que em tese autoridades não mantêm relações promíscuas com redes criminosas, que, neste caso, por quase certo estão associadas à consistência estatística de pelo menos dois outros crimes naquela região: a pistolagem rural e o trabalho escravo, ambos endêmicos no Estado do Pará. O texto de Sakamoto na íntegra, aqui.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Revelado o Terrível Segredo da Talidomida
Embora a medicina já houvesse definido um padrão característico das malformações congênitas provocadas pela talidomida, praticamente não sabia-se ainda o mecanismo molecular pelo qual o fármaco agia para provocar as graves anomalias fetais. Estudo de cientistas japoneses publicado na revista Science em março passado confirma que o efeito teratogênico da talidomida está relacionado uma proteína humana denominada cereblon, com quem o fármaco se combina formando um complexo. A cereblon está diretamente relacionada com reações biológicas que mediam o desenvolvimento dos embriões. A combinação talidomida-cereblon determina graves transtornos no dinâmica dessas reações orgânicas. O estudo foi realizado com células humanas de câncer de colo uterino e com peixe zebra, dois modelos clássicos para pesquisa in vitro.
A talidomida é um medicamento com 50 anos de comercialização, mas em decorrência de seus graves efeitos sobre fetos tem seu uso restrito. No Brasil existe lei federal que regula a sua distribuição e prescrição no sistema de saúde. Nos últimos anos a descoberta de um potente efeito da talidomida no controle da formação de vasos nos tecidos, fez com que o fármaco tenha adquirido nova indicação para o tratamento de alguns cânceres, como é o caso do mieloma múltiplo. A nova indicação levou a uma inovação incremental da antiga molécula de talidomida, com a síntese de derivados mais aperfeiçoados para uso no tratamento das neoplasias malignas. A elucidação do mecanismo com que a talidomida provoca malformações congênitas poderá levar ao desenvolvimento de uma molécula destituída desse potencial de lesão.
A talidomida é um medicamento com 50 anos de comercialização, mas em decorrência de seus graves efeitos sobre fetos tem seu uso restrito. No Brasil existe lei federal que regula a sua distribuição e prescrição no sistema de saúde. Nos últimos anos a descoberta de um potente efeito da talidomida no controle da formação de vasos nos tecidos, fez com que o fármaco tenha adquirido nova indicação para o tratamento de alguns cânceres, como é o caso do mieloma múltiplo. A nova indicação levou a uma inovação incremental da antiga molécula de talidomida, com a síntese de derivados mais aperfeiçoados para uso no tratamento das neoplasias malignas. A elucidação do mecanismo com que a talidomida provoca malformações congênitas poderá levar ao desenvolvimento de uma molécula destituída desse potencial de lesão.
O Estudo Goldfinger
É concenso entre cientistas reconhecer a insuficiência de métodos eficazes para a previsão de terremotos. Contudo, esta semana a Nature News informa sobre o estudo do geólogo marinho Cris Goldfinger e colaboradores, a ser publicado em breve publicado pelo US National Survey, que é o orgão governamental norte-americano relacionado a assuntos referentes a abalos sísmicos.
O estudo baseou-se em cerca de 80 amostras procedentes de uma falha geológica com 1000 km de extensão, situada entre a Ilha de Vancouver (Canadá) e o Cabo Mendocino (Califórnia).O objetivo da pesquisa era identificar depósitos de deslizamentos resultantes de grandes terremotos marinhos ocorridos no passado. Utilizando carbono-14 para datação do plancton aprisionado nas rochas e de dados físicos e de polo magnético das rochas, os cientistas obtiveram dados que permitiram reelaborar o mapa de risco e magnitude de terremotos na região.
Antes o risco estabelecido para a região apontava para recurrências de terremotos de grande impacto a cada 500 anos, com uma probabilidade de ocorrência em 10-15% para os próximos 50 anos. O estudo de Goldfinger, ao aumentar de 9 para 41 o número de terremotos estudados, recalculou a frequência de um grande abalo sísmico a cada 240 anos, o que definiu um risco de 37% para a região ser atingida por um terremoto de magnitude 8 nos próximos 50 anos. Os achados do estudo foram considerados relevantes tanto pela comunidade científica quanto pelo US Geological Survey, que realizará um workshop de verão para avaliar como os resultados da pesquisa serão incorporados nos mapas de risco e prevenção de catástrofes.
O estudo baseou-se em cerca de 80 amostras procedentes de uma falha geológica com 1000 km de extensão, situada entre a Ilha de Vancouver (Canadá) e o Cabo Mendocino (Califórnia).O objetivo da pesquisa era identificar depósitos de deslizamentos resultantes de grandes terremotos marinhos ocorridos no passado. Utilizando carbono-14 para datação do plancton aprisionado nas rochas e de dados físicos e de polo magnético das rochas, os cientistas obtiveram dados que permitiram reelaborar o mapa de risco e magnitude de terremotos na região.
Antes o risco estabelecido para a região apontava para recurrências de terremotos de grande impacto a cada 500 anos, com uma probabilidade de ocorrência em 10-15% para os próximos 50 anos. O estudo de Goldfinger, ao aumentar de 9 para 41 o número de terremotos estudados, recalculou a frequência de um grande abalo sísmico a cada 240 anos, o que definiu um risco de 37% para a região ser atingida por um terremoto de magnitude 8 nos próximos 50 anos. Os achados do estudo foram considerados relevantes tanto pela comunidade científica quanto pelo US Geological Survey, que realizará um workshop de verão para avaliar como os resultados da pesquisa serão incorporados nos mapas de risco e prevenção de catástrofes.
sábado, 29 de maio de 2010
Um Falcão na Academia de Letras da Bahia

Ontem à noite recebi com alegria a notícia de que meu amigo João Falcão, grande memorialista da literatura baiana e brasileira, fora eleito para a Academia de Letras da Bahia. O ex-proprietário do Jornal da Bahia será o titular da cadeira número 35, que tem como patrono o médico, ex-vice presidente da República e senador Manoel Vitorino Pereira.
Conforme recordo de Ruy Barbosa, a escolha de homens como João Falcão fortalece o princípio maravilhoso que senhoreia nossos espíritos, testemunha aquela liberdade que as instituições devem ter para a escolha de seus pares nos altiplanos de pensamento que dignificam os valores da democracia, da paz e da igualdade entre homens e povos.
Parabéns, doutor Falcão.
terça-feira, 25 de maio de 2010
No Salão Hillary Faz a Alegria do Maestro
Presidente Eisenhower despede-se da presidência (1961)
Dizem que nada melhor que uma guerra para por de pé uma economia industrial em crise. A dedicação da secretaria de estado Hillary Clinton em fazer naufragar o Acordo Diplomático Turquia-Irã, mediado pelo governo brasileiro, tem uma única razão que apenas a mídia brasileira parece desconhecer como fosse querubim, daqueles cacheados e gordinhos que inofensivos assistem missas nas igrejas barrocas brasileiras.
A razão da Sra. Clinton para ensaiar uma valsa antipática à diplomacia estão explícitas aqui e aqui. Causa idêntica a que o general Eisenhower se referiu em seu famoso discurso de despedida da Casa Branca, quando a descreveu como potencial risco aos valores democráticos do pais se os objetivos de mercado do complexo industrial militar se confundissem com os objetivos dos governos, e vice e versa, fossem eles de responsabilidade de democratas ou de republicanos.
Atualizando com base no discurso do presidente Lula, por ocasião da cerimônia de abertura da IV Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (27/05/2010): O acordo assinado não difere daquele que a AIEA havia proposto e o Irã vinha se recusando ratificar. Mesmo assim os cascos da cavalaria se fazem ouvir cada vez mais próximos...
Atualizando com base no discurso do presidente Lula, por ocasião da cerimônia de abertura da IV Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (27/05/2010): O acordo assinado não difere daquele que a AIEA havia proposto e o Irã vinha se recusando ratificar. Mesmo assim os cascos da cavalaria se fazem ouvir cada vez mais próximos...
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Bairrismos das Ciências

Os psicólogos: a Sociologia é apenas Psicologia aplicada.
Os biólogos: a Psicologia é apenas Biologia aplicaca.
Os químicos: a Biologia é apenas Química aplicada.
Os físicos esnobam: Ora, tudo é Física aplicada, e como é bom ficar no topo do conhecimento científico.
Aí os matemáticos se fazem ouvir: Pessoal, todos os caminhos vão daqui pra aí!
Os biólogos: a Psicologia é apenas Biologia aplicaca.
Os químicos: a Biologia é apenas Química aplicada.
Os físicos esnobam: Ora, tudo é Física aplicada, e como é bom ficar no topo do conhecimento científico.
Aí os matemáticos se fazem ouvir: Pessoal, todos os caminhos vão daqui pra aí!
Suicidio e Trabalho: O Caso Foxconn
Haverá quem se admire, talvez, de que a questão possa ser colocada.
(Emille Durkheim. O Suicído - Estudo Sociológico. Paris, 1897)
(Emille Durkheim. O Suicído - Estudo Sociológico. Paris, 1897)
O suicídio constitui uma das chamadas zonas de sombra e silêncio da sociedade. A análise, por exemplo da casuística brasileira, evidencia claramente que essa causa de morte violenta está subnotificada. No Brasil, o estado do Rio Grande do Sul apresenta a maior incidência (número de casos novos/unidade temporal) entre as unidades da federação. Na França o problema vem crescendo de forma consistente, apesar de uma curiosa previsão no Código Penal francês que prevê penalidade para o crime de alguém induzir outrém ao suicídio.
Tabu certamente por razões morais e religiosas no mundo ocidental, o suicídio tem sem dúvida relações com o mundo econômico, independente de outras inferências que concorram para a existência do fenômeno.
A Foxconn é uma empresa com sede em Taiwan, que se constitui em uma das maiores fabricantes mundiais de componentes eletrônicos e de computadores. Seus produtos estão fortemente associados a marcas como Apple, Dell, Hewlett-Packard (HP), Sony, Nintendo e Microsoft. A empresa chinesa é portanto um peso pesado de uma gigantesca cadeia produtiva que movimenta bilhões de dólares e alavanca fortunas e reputações que a mídia alça a condição de superstars. Entretanto na fábrica de Shenzhen, na China continental, há sinais constantes de que algo grave está consumindo a força laborativa da empresa. Novos funcionários assinam contratos ilegais de trabalho, sendo pelas cláusulas obrigados a cumprimerem horas extras entre 60 e 100 horas mensais.
Há denúncias de assédio moral, de redução dos já baixos salarios ou do bônus que o melhora por razões relacionadas a conflitos entre gerentes e trabalhadores na linha de produção. Com isso cerca de 12,5% da força de trabalho contratada, ou 50 mil pessoas, abandonam mensalmente a fábrica. Não se sabe se na condição de demissionários ou de demitidos. Mas o pior de tudo é outra estatística, representada pelo índice alarmante de suicídios dos trabalhadores. Em apenas 5 meses do ano de 2010, cerca de 10 pessoas, ou 2 pessoas por mês, empregadas da Foxconn mataram-se.
O estudo dos epidemiologistas Estela Meneghel, César Victora e colaboradores sobre a questão do suicídio no Rio Grande do Sul encerra com uma advertência que bem explica a tragédia chinesa aqui comentada:
Quando o suicídio acontece preponderantemente em um grupo etário, étnico, profissional ou isolado geograficamente, pode-se indagar se esse evento estaria funcionando como barômetro indicador de pressão na sociedade.
Eu escrevo esse texto em um iMac equipado com um microprocessador da Intel, duas marcas de empresas riquíssimas do mercado de informática. Aqui, sobre a mesa, a minha direita está o clássico O Suicídio de Emille Durkhein, o meu iPhone e o meu iPod carregando suas baterias. Uma coincidência que apenas fortalece o que eu pensava quanto a essas empresas estabelecerem um selo de qualidade não só energético (Energy Saver), mas outro de ordem humanamente necessária desde que Karl Marx um dia cunhou seu famoso Proletários do Mundo, Uni-vos: a criação de um selo que garanta ao consumidor que o produto de alta tecnologia adquirido foi fabricado em condições decentes de relações de trabalho, de não desprezo com a vida humana.
Tabu certamente por razões morais e religiosas no mundo ocidental, o suicídio tem sem dúvida relações com o mundo econômico, independente de outras inferências que concorram para a existência do fenômeno.
A Foxconn é uma empresa com sede em Taiwan, que se constitui em uma das maiores fabricantes mundiais de componentes eletrônicos e de computadores. Seus produtos estão fortemente associados a marcas como Apple, Dell, Hewlett-Packard (HP), Sony, Nintendo e Microsoft. A empresa chinesa é portanto um peso pesado de uma gigantesca cadeia produtiva que movimenta bilhões de dólares e alavanca fortunas e reputações que a mídia alça a condição de superstars. Entretanto na fábrica de Shenzhen, na China continental, há sinais constantes de que algo grave está consumindo a força laborativa da empresa. Novos funcionários assinam contratos ilegais de trabalho, sendo pelas cláusulas obrigados a cumprimerem horas extras entre 60 e 100 horas mensais.
Há denúncias de assédio moral, de redução dos já baixos salarios ou do bônus que o melhora por razões relacionadas a conflitos entre gerentes e trabalhadores na linha de produção. Com isso cerca de 12,5% da força de trabalho contratada, ou 50 mil pessoas, abandonam mensalmente a fábrica. Não se sabe se na condição de demissionários ou de demitidos. Mas o pior de tudo é outra estatística, representada pelo índice alarmante de suicídios dos trabalhadores. Em apenas 5 meses do ano de 2010, cerca de 10 pessoas, ou 2 pessoas por mês, empregadas da Foxconn mataram-se.
O estudo dos epidemiologistas Estela Meneghel, César Victora e colaboradores sobre a questão do suicídio no Rio Grande do Sul encerra com uma advertência que bem explica a tragédia chinesa aqui comentada:
Quando o suicídio acontece preponderantemente em um grupo etário, étnico, profissional ou isolado geograficamente, pode-se indagar se esse evento estaria funcionando como barômetro indicador de pressão na sociedade.
Eu escrevo esse texto em um iMac equipado com um microprocessador da Intel, duas marcas de empresas riquíssimas do mercado de informática. Aqui, sobre a mesa, a minha direita está o clássico O Suicídio de Emille Durkhein, o meu iPhone e o meu iPod carregando suas baterias. Uma coincidência que apenas fortalece o que eu pensava quanto a essas empresas estabelecerem um selo de qualidade não só energético (Energy Saver), mas outro de ordem humanamente necessária desde que Karl Marx um dia cunhou seu famoso Proletários do Mundo, Uni-vos: a criação de um selo que garanta ao consumidor que o produto de alta tecnologia adquirido foi fabricado em condições decentes de relações de trabalho, de não desprezo com a vida humana.
Revendo Oliver Sachs
Oliver Sachs é um médico neurologista com uma obra literária que articula saberes da antropologia, sociologia, biologia e medicina. Suas opiniões refletem sempre uma inteligência aguçada, mas, sobretudo uma sensibilidade cada vez mais rara na medicina atual. Aqui, a sua entrevista completa no Roda Viva em 1997.
domingo, 23 de maio de 2010
Google Earth: O Tamanho da Encrenca
O blogue Alexander Higgins oferece com base no Google Earth um recurso didático para o leitor avaliar comparativamente o tamanho da mancha de óleo derramada no Golfo do México. Calcule por exemplo, aqui, a relação entre a extensão da mancha e a cidade em que você mora. É impressionante a magnitude desse desastre ecológico.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Malária x Alterações Climáticas: Pesos & Medidas
A associação de mudanças crescentes de temperatura à epidemiologia da malária em teoria está justificada pelos conhecidos efeitos biológicos que as diferenças de temperatura provocam no ciclo de vida do vetor Anopheles e do Plasmodium. Contudo tais efeitos não agem de forma isolada, e avaliações empíricas serão válidas apenas se o papel e a influência relativa dos fatores não climáticos forem considerados. A interpretação óbvia é de que a recessão global observada nos casos de malária desde 1900 é que fatores não-climáticos, principalmente aqueles relacionados diretamente ao controle da doença e os efeitos indirectos de um século de urbanização e desenvolvimento econômico, embora espacialmente e temporalmente variáveis, exerceram uma influência substancialmente maior na extensão geográfica e intensidade da malária durante o século XX do que os fatores climáticos. Esta simples inferência é consistente com outros estudos que analisaram as forças históricas climáticas e antrópicas e demonstraram importantes implicações para o debate sobre a importância das alterações climáticas na determinação de cenários futuros da malária.
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Trecho de carta publicada na edição da Nature (20/05/2010) em que os autores Gethi, Smith e Patil e colaboradores discorrem com elegância sobre as relações entre alterações climáticas e a prevalência/indicência da malária no mundo. O artigo na íntegra e sem ônus está disponível para leitura.
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Trecho de carta publicada na edição da Nature (20/05/2010) em que os autores Gethi, Smith e Patil e colaboradores discorrem com elegância sobre as relações entre alterações climáticas e a prevalência/indicência da malária no mundo. O artigo na íntegra e sem ônus está disponível para leitura.
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