domingo, 2 de maio de 2010

Os Vulcões Brasileiros


















Ilha de Trindade, costa brasileira, Atlântico Sul. Autor anônimo.

Disse um poeta que o Brasil é uma terra abençoada por Deus e bonito por natureza. Lirismos à parte, de fato, no quesito vulcões e suas erupções temos enorme vantagem comparativa em relação a outros países.
A Ilha de Trinidade e outras ilhotas satélites está situada a 1.100 km da plataforma continental brasileira, próximo ao estado do Espírito Santo, e é considerada um vulcão sem atividade. As pequenas ilhas representam o território brasileiro mais afastado do continente com importância militar e científica devido a sua proximidade da fossa oceânica, que é sítio de instabilidade geológica para atrito de placas tectônicas e atividade vulcânica .
No final do século XIX, com objetivo de garantir sua supremacia no Atlântico Sul, a Inglaterra ocupou-a e tentou se apropriar do pequeno arquipélago, mas foi dissuadida pela pronta intervenção diplomática do Brasil sob a liderança do extraordinário Barão do Rio Branco.
Hoje a ilha é sede do Posto de Observação Oceanográfica, onde trabalham cerca de 32 militares da Marinha de Guerra do Brasil, especializados na coleta de dados maregráficos, sismológicos e meteorológicos naquela região. No arquipélago existem 5 vulcões acima da linha dágua oceânica. A última erupção contudo aconteceu há 50 mil anos.
Tal qual acontece nos terremotos, a ciência ainda não consegue estabelecer com exatidão quando um vulcão voltará a atividade, ou se irá extinguir-se em definitivo.

EVA, AD 2000



O British Pathe, um dos mais antigos produtores de filmes, realizou em 1939 este curta como exercício de futurologia tecnológica. A pergunta que pretendiam responder era a seguinte: o que as pessoas vestirão no ano 2000? Para assistir basta clicar sobre a fotografia. Depois riam até não poder mais.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ecos da Crise Econômica Norte-Americana

(The Wall Street Journal) - Em Manhatan (Nova Iorque), com hospitais fechando as portas e outros cortando orçamentos, os trabalhadores do setor saúde temem que possam enfrentar um período longo de desemprego. Nesta próxima sexta-feira, por exemplo, o Hospital St. Vincent ao fechar as portas por falência mandará 3,5 mil funcionários de volta ao mercado de trabalho, que estima-se conter cerca de 162 mil profissionais.

Comentário: O encolhimento da rede hospitalar determinará outras consequências tão ou mais graves que o desemprego, definidas pelos transtornos no acesso às unidades de saúde e pelo prejuízo inevitável na qualidade dos serviços prestados por aquelas que mantiverem as portas abertas.

Vioxx: Suprema Corte Enquadra Merck

A Suprema Corte de Justiça dos EUA decidiu nesta última terça-feira que os investidores prejudicados com a suspenção da comercialização do anti-inflamatório Vioxx, podem processar a empresa farmacêutica Merck & Co., para esclarecer se a companhia tomou de fato todas as precauções necessárias quanto à informação sobre os riscos do medicamento, antes que fosse retirado do mercado por razões de segurança.

A Tormentosa Vida de Michael Jackson

O jornal The Guardian publica a síntese de um livro ainda não lançado, que analisa o papel da hipocondria na angustiante vida do megastar Michael Jackson. O blogueiro registra que não concorda com todas as argumentações do autor, que algumas vezes lhe parecem desrespeitosas ou destituídas de embasamento teórico mais robusto.
Além do mais, o autor secundariza o papel de um dos fetiches que mais seduzia a complexa personalidade de MJ em qualquer situação: aquele relacionado ao imperativo tecnológico, que, parece-me, ele instrumentalizava com mais lucidez quando para chegar a seus objetivos artísticos. A matéria publicada no periódico inglês, está disponível aqui.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O STF e o Viagra

O Supremo Tribunal Federal decidiu que a patente do medicamento Viagra (sildenafil) termina em junho deste ano, não reconhecendo o direito do laboratório proprietário da patente de mantê-la no Brasil até junho de 2011. A decisão permite que laboratórios nacionais produzam o genérico do medicamento, reduzindo por esse modo o custo final para o consumidor. Para termos uma idéia da importância dos genéricos, e também fazer uma estimativa rápida da relação custo-efetividade e equidade em saúde, o governo federal utiliza 20% do orçamento para aquisição de antineoplásicos com a compra do imatinib, medicamento que trata um conjunto de pacientes que representam 2% da população brasileira.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

As Convulsões da Terra

Afghanistan. 19 April 2010. A powerful earthquake measuring 5.3 on the Richter scale strikes central Afghanistan, killing at least seven people and wounding more than 30. The earthquake hit the mountainous Samangan province, northwest of the capital, Kabul. Further information (BBC).

Guatemala. 19 April 2010. A magnitude 5.6 earthquake, with an epicentre some 160 km west of the capital Guatemala City and 50 km southeast of the city of Tapachula in Mexico's Chiapas State, hits western Guatemala. No immediate casualties or damage are reported. (Latin American Herald Tribune).

Papua New Guinea. 18 April 2010. An earthquake measuring 6.3 on the Richter scale hits the east coast of Papua New Guinea. The earthquake was centred about 29km east of the city of Lae. There were no immediate reports of damage or injuries and the Pacific Tsunami Warning Center in Hawaii did not issue a tsunami alert. (BBC).

Iceland. 14 April 2010. The eruption of Icelandic volcano, Eyjafjallajokull, causes the suspension of flights across much of western Europe.(BBC).

China. 14 April 2010. An earthquake measuring 6.9 on the Richter Scale hits China’s Qinghai province. Hundreds of people are killed and more than 10,000 people are injured and thousands are left homeless. (BBC).

terça-feira, 20 de abril de 2010

Bomba! Israel Proíbe o iPad.

















O Ministério das Comunicações de Israel determinou que fossem confiscados todos os iPad que sejam importados ou entrem como bagagem de israelenses no país. O ministro afirma que a medida foi tomada porque o equipamento da Apple Inc. foi configurado para uso nos EUA e não atende aos requisitos técnicos israelenses.
Especialistas discordam da justificativa, que consideram uma desculpa esfarrapada. Para alguns a medida foi adotada para proteger os interesses comerciais da iDigital, que é o representante oficial da Apple Inc. em Israel. A azeitona da empada é o fato da empresa ter como proprietário Chemi Peres, filho do presidente do país. Quando inquirido pela Time, o ministro das Comunicações confirma que discutiu com a iDigital medidas para definir quando e como o iPad poderá ser utilizado com segurança em Israel, e para isso aguardam as orientações que virão de Cupertino, cidade californiana onde está localizada a matriz da Apple Inc.
Há outras versões, inclusive conspiratórias, como seria esperado em se tratando de Oriente Médio. Entre admiradores de romances policiais e filmes de suspense acredita-se que a proibição teria sido determinada por questões militares, pois o iPad interferiria com as frequências de comunicação dos orgãos de defesa e segurança israelenses, fragilizando a segurança nacional. Há quem afirme, por exemplo, que problema igualzinho teria acontecido quando a tecnologia bluetooth foi introduzida no país.
A proibição também preocupa a empresários da tecnologia de informação, que consideram a medida danosa à economia e à imagem de país inovador em tecnologia, construída pelos israelenses nas últimas três décadas. A insatisfação dos consumidores por fim não foi menor. A medida governamental provocou na blogosfera israelense uma verdadeira intifada. Entre os comentários registrados, houve o de um insurgente que deu no anonimato uma solução anedótica para driblar as medidas restritivas. Aconselhou que para se entrar no país com a engenhoca Bastará comprar o iPad no exterior, e na alfândega israelense seguir a fila do Nada a Declarar.
Na mesma linha de apreciação do non sense, antes de encerrar o post, cabe me indagar o que o governo israelense fará com os iPad de turistas e executivos estrangeiros que chegarem ao país. Serão eles retidos e apenas devolvidos quando os proprietários retornarem para os seus países de origem? Aguardemos portanto, como evoluirá esse inusitado exemplo de impacto tecnológico.

domingo, 18 de abril de 2010

As (In) coerências de James Cameron























Para o Professor Aluísio Lins Leal

Em termos modernos, segundo Marilena Chauí, o termo intelectuais descreve seres bidimensionais por terem eles surgido "no e pelo ultrapassamento da oposição cultura pura e o engajamento". Repercutindo uma tese de Boaventura de Souza Santos, a filósofa brasileira conclui que a lógica da autonomia das artes, ciências, técnicas, ética e direito foi determinante para o surgimento da figura do pensador e do artista não submentidos às instituições eclesiásticas, estatal, partidária e acadêmica. Ao praticarem com autonomia o pensar e o agir, os intelectuais adquiriram mais que independência, pois armaram-se de uma autoridade teórica e prática que permitiu-lhes o exercício da crítica ao modo como agiram livremente os filósofos da Revolução Francesa, os socialistas utópicos, os anarquistas e os marxistas.
A apreciação desses escritores e filósofos permite ilustrar que, à luz da autonomia e em qualquer tempo, a fala e a ação pública dos intelectuais estão orientadas para a defesa coerente de causas universais e para a insurgência contra a ordem vigente. Para Pierre Bourdieu, contudo, esse duplo agir confronta de forma crítica a bidimensionalidade que justifica o intelectual enquanto agente histórico e social, pois os "intelectuais oscilam entre o recolhimento e o engajamento, o silêncio e a intervenção pública, oscilação que decorre das circunstâncias nas quais a demanda de autonomia racional é respeitada ou ameaçada pelos poderes instituídos". São ícones modernos dessa capacidade de intervenção Emille Zola, Arthur Rimbaud, Bertrand Russel e Jean-Paul Sartre.
Mas para além da grandeza desses exemplos universais, a procissão dos dias nos confronta com exemplos que nos desafiam como esfinge quanto a estarmos de fato frente a um intelectual engajado ou uma fraude midiática muito comum em sociedades onde o espetáculo é uma força senão de primeira ordem, mas certamente acessória dotada de efetiva consequência. É o caso do insistente aparecimento do diretor James Cameron no cenário da política ambiental brasileira, a partir do lançamento de seu bilionário filme Avatar, que na primeira semana de projeção mundial faturou mais de 1 bilhão de dólares.
Cameron (55 anos ), confesso admirador de Jacques Cousteau, produziu obra cinematográfica irregular do ponto de vista de conteúdo e qualidade, mas decerto rendosa ao incluir alguns blockbusters, ou seja aqueles filmes voltados exclusivamente para auferir lucro estrastoférico e de conteúdo duvidoso, porém não inócuo. Sua atual face midiática de defensor do meio ambiente e de autonomia dos povos procura ser coerente com a mensagem pacifista e ambientalista de Avatar, mas decerto esse discurso é incompatível com a mensagem de violência e hegemonia militar norte-americana que veiculou em quatro de seus seis filmes de maior sucesso e renda: O Exterminador do Futuro (1984), O Exterminador do Futuro 2: Dia de Julgamento (1996) e True Lies (1994), além de Rambo II: A Missão, do qual foi roteirista.
Para a The New Yorker, o canadense James Cameron é um legítimo produto classe média da ambiência da Guerra Fria e transfere toda essa carga a sua obra cinematográfica. Em entrevista recente, quando inquirido quanto a sua admiração por operações militares e armas confirmou: " Eu suponho que você diria que eu acredito na paz pela superioridade das armas. Mas eu não acredito que a raça humana de repente evoluiu ao ponto de todos nós darmos as mãos e cantarmos kumbaya*". A compreensão da afirmativa é suficiente para entender porque a segurança da residência do diretor é feita por ex-militares que atuaram na Guerra do Golfo**, ou de sua decisão para ser treinado em todo tipo de arma, incluindo o tiro com fuzil AK-47, quando escrevia o roteiro de O Exterminador do Futuro. Sobretudo o que lemos é uma visão de mundo muito difícil de ser compatibilizada com o pacifismo lacrimogêneo de Avatar.
Para a direita norte-americana o diretor estimula movimentos como o Green Peace e grupos autóctones de países subdesenvolvidos, conferindo a ele grau mais de curiosidade do que de periculosidade propriamente dita. E aqui talvez tenhamos o resumo de uma advertência para a mídia brasileira de oposição, de direita e de esquerda, que enxergam no palavrório do diretor uma oportunidade para reduzir a hegemonia política do governo do presidente Lula à véspera das eleições presidenciais.
Ao contrário da veemente defesa da anti-construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, nunca se teve notícia que Cameron protestasse contra a extração petrolífera das areias betuminosas no Canadá, processo considerado por 10 entre 10 ambientalistas como o mais poluente do mundo; ou do porquê o seu contrangedor silêncio com respeito a Guerra do Iraque, decidida e conduzida pelo mainstream norte-americano para assegurar o equilíbrio do problema energético dos Estados Unidos. Marina Silva e o pragmatismo dos seus ambientalistas aliados do Partido Verde deveriam apreciar melhor tais questões e saber que, nesses casos, a nossa direita logo identifica que o adversário do meu inimigo pode vir a ser o meu melhor amigo.

*Canção afro-judaica pela paz e integração dos povos.
** O irmão do diretor é ex-combatente do conflito e consultor militar para Avatar.

Fotos: A atriz Sigourney Weaver e James Cameron visitam o porta-aviões Dwight D Eisenhower (5a. Frota - Oriente Médio) para promover Avatar. A respeito da relação dos fuzileiros com Avatar, Cameron afirmou em entrevista que os militares da Marinha estão respresentados no heroísmo do personagem Jake, registrando textualmete que "Eu tenho o maior respeito pelos homens e mulheres do corpo dos fuzileiros navais dos EUA, e acredito firmemente que Avatar honra a coragem, a ousadia e os valores de sua honra". A principal atividade dos marines é atuar na contra-insurgência nos países invadidos ou conquistados para o equilíbrio local e a hegemonia global norte-americana (N.T.).

domingo, 11 de abril de 2010

Neurônios, Escrita e Leitura

Muito foi escrito sobre o que é literatura, mas pouco foi investigado sobre a dimensão biológica da criação literária, da leitura e seus reflexos na cultura. Pois um grupo de neurocientistas, críticos literários e estudantes ingleses estão mergulhados num projeto que pretende responder a essa questão. Para eles a leitura e a criação literária se relacionam a um complexo sistema neurofisiológico, com possível interferência de genes, que faz com que um Shakespeare, Virgínia Wolf, Joyce, Fernando Pessoa, Camões, Jorge Luis Borges, Drummond e Manoel Bandeira tenham criado o que publicaram. E mais ainda; pretendem avaliar como o cérebro dos leitores reage a esses textos complexos, comparando-os com reações registradas durante a leitura de jornais ou da Playboy... Aqui, com direito a um comentário do professor Michael Holquist, da Yale University, no melhor bom humor inglês em dia de domingo.