sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Seis Medicamentos Expiram Patente em 2011

Nos próximos anos importantes patentes de medicamentos serão expiradas. Em 2011, por exemplo, podemos citar o mais bem sucedido redutor de colesterol - Lipitam ou Xalatan (Roche); o antidepressivo para uso em esquizofrenia e transtorno bipolar - Zyprexa (Elli-Lilly); o medicamento para asma que o inalador tem patente própria - Advair (GlaxoSmithKline); o tambem indicado para tratamento de distúrbios psiquiátricos - Seroquel (Astra Zêneca) e o medicamento para uso em infecções pediátricas Levaquin (Ortho-Mcneill).
A perda das patentes possibilita a fabricação de medicamentos genéricos por outras empresas do setor farmacêutico do complexo industrial da saúde. Contudo, especialmente quando se tratam de blockbusters ou carros-chefes de vendas, para reduzir o prejuízo da perda patentária, as gigantes farmacêuticas iniciam a compra ou parceria com empresas menores a quem passam a fornecer prioritariamente o apoio necessário para fabricação de genéricos de seus medicamentos referência, permitindo assim uma recomposição de lucros e de domínio do mercado.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Solidariedade ao Manifesto Médico de Apoio a Dilma

Está disponível no Blogue Médicos com Dilma manifesto para assinatura de apoio à candidata Dilma Roussef do PT. Nesse momento, há menos de dez dias das eleições, estão em disputa titânica dois projetos para o Brasil, o neoliberalismo, conduzido pelo PSDB, e o projeto social-democrata do presidente Lula. O constraste deste com aquele resplandece, especialmente quando se os comparam nos resultados respectivamente alcançados na execução das políticas públicas, pelos respectivos indicadores que derivam de um lado da concepção de um estado mínimo à feitura neoliberal e de outro de um estado que pretende construir-se constitucionalmente como provedor de direitos sociais, includente e soberano.
Como defensor intransigente de uma medicina de qualidade; de um desenvolvimento nacional não subserviente aos interesses espúrios das privatizações; por defender o Sistema Único de Saúde e a contínua necessidade de fortalecer seus princípios de universalidade, integralidade e equidade; por reputar a candidatura do senhor José Serra (PSDB) como insolente, arrogante, geradora de ódio e violência entre brasileiros; por considerar que as alianças políticas celebradas por Serra extrapolam o campo da direita e incorporam forças historicamente alinhadas com a extrema-direita; por considerar que o projeto desse candidato para o Brasil não garantirá a continuidade do projeto social em curso, nem a integridade do controle nacional sobre nosso patrimônio e riquezas, especialmente a do petróleo, solicito aos (as) colegas que apóiem a candidatura de Dilma Roussef (PT), juntando suas assinaturas a minha e às de outros (as) naquele documento.
Assinaturas dos médicos que apoiam Dilma deverão ser realizadas aqui.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Comparar é Fundamental

Recomendo a leitura da excelente postagem sobre resultados de políticas públicas nos governos federais do PSDB/Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e do PT/Lula (2003-2010), publicada no blogue Lobo em Pele de Cordeiro. É a síntese que faltava.

Antibiótico Só Com Receita Médica

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) editará regras para coibir a venda nas farmácias de antibióticos sem receita médica. A medida é necessária porque a auto-medicação contribui para o desenvolvimento de resistência dos microorganismos a essa classe de medicamentos. A agência deve atentar que ao fechar o gargalo nas farmácias, haverá necessidade de reprimir a venda ilegal por ambulantes e pela marginalidade na internete.

Para Desenvolver, Educar É Necessário
























Para ler a matéria clique sobre a imagem e amplie. Tudo com o botão esquerdo do mouse.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ex-Reitor Enfrenta Xerimbabo da Veja 1/3

EDUCAÇÃO SUPERIOR EM LULA vs FHC: A PROVA DOS NÚMEROS

Um jornalista escreveu em seu blog, auto-apresentado como um dos mais acessados do Brasil: “Provei com números que o que ele [o Governo Lula] fez mesmo foi aumentar o cabide de empregos nas universidades federais, aumentar a evasão e o número de vagas ociosas.”

Fiquei muito interessado no tema, por dois motivos: Primeiro, porque fui Reitor de uma universidade federal durante quatro meses no governo FHC e quase todo o tempo do Governo Lula, o que me permite a rara situação de, na condição de gestor público, poder comparar os distintos cenários de política de educação superior. Segundo, porque minha área de pesquisa é a Epidemiologia. Nessa condição, trabalho com modelagem numérica e técnicas quantitativas de análise, num campo onde exercitamos uma quase obsessiva busca de rigor, validade e credibilidade. Isto porque uma eventual contrafação ou fraude estatística pode custar vidas, produzir riscos ou aumentar sofrimentos.

Assim, procurei, no blog do jornalista, a prova dos números. Encontrei, numa postagem de 24/08/2010 – arrogantemente intitulada “A fabulosa farsa de ‘Lula, o maior criador de universidades do mundo’. Ou: desmonto com números essa mentira” – três blocos de questões: aumento de vagas e matrículas; evasão na educação superior; empreguismo na rede federal de ensino. Analisarei cada uma delas, demonstrando que essas “provas de números” são refutadas em qualquer exame sério de validade técnica ou metodológica.

No primeiro bloco, referente a aumento de vagas e matrículas, achei as seguintes afirmações: “A taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula. [...] Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008).”

Ex-Reitor Enfrenta Xerimbabo da Veja 2/3

Aqui o jornalista comete erros primários (ou de má-fé) de análise de dados. Qualquer iniciante em análise estatística, demográfica ou educacional sabe que não faz sentido comparar um período de oito anos com outro de seis anos, ou este com outro de quatro anos; mais ainda se usarmos médias aritméticas ou números brutos; e pior ainda se considerarmos (como ele bem sabe) que o principal programa de expansão das universidades federais, o REUNI, começa a receber alunos justamente depois de 2008.

Além disso, usa dados errados. Eis os dados corretos de matrículas nas IFES:

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

502.960

531.634

567.850

574.584

579.587

589.821

653.022

720.317

917.242

1.010.491

(fonte: INEP e ANDIFES)

Não precisamos questionar os indicadores do governo FHC; consideremos a credibilidade destes como de responsabilidade do jornalista. Mas, com os dados da pequena tabela acima, podemos demonstrar que, considerando todo o período do governo Lula, o volume total de matrículas nas federais aumentou 90,1%. Portanto, a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais, entre 2003 e 2010, não foi de 3,2% e sim de 11% ao ano.

Também, no que concerne à segunda afirmação, em seis anos de governo Lula (2003 a 2008), de fato ocorreram 188.683 novas matrículas nas universidades federais, e não, como afirma o jornalista, apenas 76.000 (aliás, números redondos são em geral suspeitos: sugerem ausência de fonte). Uma comparação tecnicamente mais correta será entre os dois segundos mandatos: entre 1998 e 2003, segundo mandato FHC, houve 158.461 novas matrículas; entre 2007 e 2010, segundo mandato Lula, foram exatas 478.857 novas matrículas registradas nas universidades federais. Ou seja, contrastando períodos equivalentes, o operário Lula abriu 200% mais vagas novas em universidades federais que o intelectual FHC.

No segundo bloco de questões levantadas pelo jornalista, o assunto era evasão na educação superior. Ele escreveu: “O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008. [...] A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.”

Ex-Reitor Enfrenta Xerimbado da Veja 3/3

O jornalista confunde evasão com ociosidade. Aliás, não sei de onde ele tirou os dados que indicariam um aumento “brutal” de evasão nas universidades federais no governo Lula. Não tenho conhecimento de nenhuma base de dados que recolhe e computa informação sobre “vagas ociosas” que, a propósito, tem definições variadas e divergentes dentro da autonomia das diferentes instituições. Sobre trancamentos, desligamentos e afastamentos, novamente o jornalista comete erros primários (ou de má-fé) na análise de dados. Qualquer iniciante em análise estatística, demográfica ou educacional sabe que um aumento bruto de 44.023 para 57.802 afastamentos nada significa sem comparação das proporções relativas. Ocorreram mais afastamentos simplesmente porque o sistema recebeu mais matrículas, de 567 mil para 720 mil no período considerado. Usemos os percentuais respectivos: entre 2003 e 2008, a taxa de afastamentos passa de 7,7% para 8,0%, uma variação insignificante. Onde está o “salto”?

O estudo mais abrangente sobre o tema evasão na educação superior no Brasil foi realizado pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia. De acordo com essa pesquisa (Silva Filho et al 2007), a evasão anual média do Brasil, entre 2000 e 2005, foi de 22%. Essa taxa foi mais de duas vezes menor nas instituições públicas, em torno dos 12%, que nas instituições privadas, quase 26%. No que se refere às áreas, a maior evasão média anual ocorreu na formação em Serviços, com 29%; seguida por Ciências Naturais, Matemática e Computação, 28%, e Ciências Sociais, Negócios e Direito, 25%. A menor evasão foi em Ciências da Vida, com 17%. Os cursos com maiores taxas anuais de evasão foram: Matemática, 44%, Marketing e Publicidade, 36%, Educação Física, 34%. Os cursos com menores taxas foram Medicina, com 5% e Odontologia, 9%. Notem que essas são taxas médias anuais.

Outra coisa são as estimativas de evasão no tempo do curso, ou seja, complemento matemático da taxa de sucesso. Estudo da USP (2004) avaliou que apenas 32% de seus alunos concluíram o curso no tempo previsto. Os restantes retardaram, mudaram ou desistiram do curso, nesse caso configurando uma taxa bruta de evasão que, no Brasil, entre 2000 e 2006, situou-se em 49%. Esse indicador é mais difícil de calcular e comparar, dada a diversidade na duração mínima dos cursos (no Brasil, de dois a seis anos), e na própria arquitetura curricular, muito distinta entre os diferentes modelos de universidade. Não obstante, para efeito limitado de comparação internacional, alguns dados da Unesco, no período de 2002 a 2006, mostram o Brasil numa situação intermediária: Coréia do Sul 22%, Cuba 25%, Alemanha 30%, México 31%, EUA 34%, França 41%, Brasil 49%, Colômbia 51%, Suécia 52%, Venezuela 52%, Itália 58%.

Com esses dados, analisemos a situação da UFABC, precursora do REUNI e, talvez por isso, posta no pelourinho. O jornalista e, em certo momento, a imprensa paulista, consideraram alarmante uma evasão de 42% em quatro anos. Puro desconhecimento do assunto. Se ajustarmos essa medida num parâmetro temporal preciso, encontraremos uma taxa anual de 11%, abaixo, portanto, da média nacional para instituições públicas e metade da taxa referente ao setor privado de ensino superior.

No terceiro bloco de questões, o jornalista denuncia a rede federal de ensino superior como “cabide de empregos”: “Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina ‘companheira’. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período. [...] No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.”

O jornalista insiste em parar o tempo em 2008, desconhecendo o efeito do REUNI. Nesse aspecto, o conjunto das universidade federais começou a fazer investimentos a partir de 2008 (e isso incluiu naturalmente contratação de docentes e funcionários) para dar conta do crescimento do alunado no ano seguinte. Já em 2008, foram realizados concursos públicos para mais de 6.000 professores e 4.000 funcionários, para receber os 196.725 alunos novos que entraram nas 56 universidades federais em 2009. Com a matrícula dos dois semestres deste ano de 2010, o sistema federal ultrapassou 13 alunos por docente, mantendo a razão 18 alunos/docente como meta pactuada do REUNI para 2012. De fato, enquanto o corpo docente da rede universitária federal aumentou 35% de 2002 a 2008 e crescerá em 50% até 2012, nesse período, o alunado triplicará.

Apenas como exemplo concreto, posso apresentar o caso da UFBA: neste ano, matriculando 34.516 alunos de graduação, nossa instituição alcançou 16,4 alunos/docente. Passamos de 55 cursos de graduação em 2002, para 113 cursos em 2010, com aumento de vagas de quase 120%. Em 2002, oferecíamos 40 vagas em 01 curso noturno; em 2010, são 2.610 vagas em 22 cursos noturnos. Em relação à pós-graduação, os patamares efetivamente alcançados são ainda mais expressivos, com aumento de 150% em vagas e matrículas, sendo mais de 300% no doutorado. Fizemos tudo isso com apenas 416 novos docentes contratados em três anos.

A prova dos números com dados completos, tanto no sentido temporal (quando inclui matrículas até 2010) quanto no sentido político (apesar de o jornalista insistir em esconder o sucesso do REUNI), destrói seus argumentos enganosos. Resta-lhe o exercício da retórica raivosa. Máquina de empreguismo? Cabide de empregos? Essas grosserias insultam a todos nós, dirigentes, professores, servidores e alunos de universidades federais que, com grande esforço, estamos tornando a educação superior pública brasileira flagrantemente mais eficiente, competente, socialmente responsável.

Tendencioso, mal-informado, sem competência técnica em análise elementar de dados, o jornalista não passa na prova de números que ele mesmo propõe. Ainda bem que ele foi reprovado pois, nos planos macroeconômico e político, uma contrafação ou fraude estatística pode reduzir investimentos, desviar prioridades, suspender programas de governo, fazer retroceder estratégias, destruir políticas e atrasar o desenvolvimento social e humano do país.

Naomar de Almeida Filho

Pesquisador I-A do CNPq

Reitor da Universidade Federal da Bahia no período 2002-2010

Professor Titular de Epidemiologia, Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto Milton Santos de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Fascismo à Brasileira

Do blogue do jornalista Luis Nassif, hoje:

Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro.

O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial

Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências.

Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa.

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O post O Ovo da Serpente: Carta de um Professor, publicado logo mais abaixo, vai ao encontro da análise de Nassif.

Máquinas Comunitárias Para Diagnóstico de Febre - Uma Febre Tecnológica à Vista?

Quando estive em Cingapura em 2009 estava no auge a Gripe Aviária (H1N1). Para acesso ao congresso em que eu participei (Health Technology Assessment International -2009) havia uma dessas máquinas que analisam a temperatura de quem passa por ela. O objetivo era exatamente identificar quem estava febril e conduzí-lo aos cuidados de uma equipe de saúde, que cuidaria das medidas necessárias à investigação e ao tratamento da origem da febre.
Depois fiquei pensando que a função de polícia sanitária daquela máquina poderia muito bem ser ludibriada em eventos, metrôs, rodoviárias, portos, aeroportos e fronteiras - qualquer lugar de aglomeração - bastando que o sujeito fizesse uso de antitérmico ou outro medicamento que lhe reduzisse a temperatura, evitando assim que fosse detido pelas autoridades sanitárias. Então não seria melhor aprimorar a conscientização das pessoas, para que procurassem cuidados médicos tão logo observassem algo de errado com suas temperaturas? Eu ainda penso que sim.
Entretanto, a tecnologia por infra-vermelho para monitoramento comunitário da febre progride no mercado e em direção a sua incorporação nos sistemas nacionais de saúde. Hoje, na Reuters, li que as tais máquinas foram testadas em salas de emergência nos EUA, demonstrando eficácia na identificação de 90% dos pacientes febris contra os 75% diagnosticados com base na clássica metodologia da história clínica dos pacientes.
O artigo jornalístico não informa, porém, se da acurácia mensurada a favor da máquina foram excluídos os falsos positivos e os falsos negativos, sempre presentes em matéria médica. Tão pouco nos informa sobre o custo de aquisição e manutenção do equipamento, e, principalmente, se para cada dólar gasto no diagnóstico de febre na situação real de uma epidemia, utilizando-o, obtem-se melhores desfechos, como por exemplo diagnóstico precoce, menor tempo e dos custos de hospitalização, redução da mortalidade, da tramissão, etc. Dados esses que deverão ser comparados com aqueles relacionados, nas mesmas condições epidêmicas, com o uso do método clínico tradicional.