terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Balanço Pessoal de Ano

1- O desempenho do Voo de Galinha em 2011 foi vexaminoso, conforme expressa o registro das postagens, que, em número, retrocedeu à produção de 2009.
2- Em compensação, @itajaideal, twitter associado a este blog, disparou mais que duplicando o número de seguidores.
3- Em 2011, por questões de tempo não foi possível cristalizar novo blogue, que associaria bibliofilia e medalhística no âmbito da Amazônia.
4- Fiz uns magros progressos na fotografia, que estão disponíveis no Flickr ou aqui, em link na coluna à direita desta página.
5- No mais tenho a agradecer àqueles que prestigiam o blog, o twitter e o Flickr com suas presenças e comentários sempre generosos.

Mas, se toda história guarda alguma conclusão, este balanço breve e personalíssimo tem lá sua moral, resumida na constatação de que O problema é que eu tenho hobbies demais e dinheiro de menos. Mas outros melhores dias prometem vir, e comme il le faut terei de conquistá-los.

Resistir é Viver



















Shikhei Goh da Indonésia ganhou o primeiro prêmio do concurso internacional de fotografia promovido pela revista National Geographic, em 2011. A foto, denominada Splashing (Chuvisco), tem por objeto uma jacinta resistindo à força da chuva e do vento, sob uma luz que remete a um fim de tarde. O registro fotográfico permite a quem o observa - e especialmente para aquele habitante dos trópicos - a sensação de que participa da cena. No meu ver essa foto impressionante se tornará um dos ícones da macrofotografia. Aqui outras fotos do fotógrafo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

E Aquilo Deu Nisso?

A Penguin Books, editora de âmbito internacional, está presente no Brasil pelo menos há um ano, com a confirmação de que vende livros a preço justo em consórcio com a brasileira Companhia das Letras. Ao catálogo internacional, que guarda títulos importantes para o conhecimento, a parceria tem agregado obras para o Brasil, dos quais são exemplo, entre outros, o Essencial de Joaquim Nabuco, o Essencial de Padre Antônio Vieira (com inédito A Chave dos Profetas) e os Apontamentos de Viagem (J.A. Leite Moraes).
Dos bate-pernas dos chamados viajantes na Amazônia, Leite Moraes talvez seja um dos menos conhecidos, ainda que a paixão dos bibliófilos pague pequena fortuna para ter a primeira edição do livro, publlicado salvo engano pela Câmara Municipal de São Paulo, em edição de magra tiragem. Logo, reedições como essas da Penguim e, seja dito, antes a da Companhia das Letras são importantes para a perenidade do instantâneo que Leite Moraes deu ao público de sua época e às gerações do futuro (em última forma, publicações almejam sempre a eternidade).
Haroldo Maranhão, patrono desse blog, não selecionou Mello Moraes para compor sua revisão literária, a que deu o título de Pará, Capital: Belém/ Memórias & Pessoas & Coisas & Loisas da Cidade (Prefeitura de Belém, 2000). Não importa, pois esses Apontamentos de Viagem, escrito pelo avô do maior intelectual brasileiro já havido - Mário de Andrade -, é obra de importância para o estudo da civilização na Amazônia entre o fim do século XIX e o início do XX, ainda que não acresça de maior originalidade aos registros realizados por outros que, advindos aos trópicos com o espírito de capitalistas da Segunda Revolução Industrial, interpretavam com bom ânimo o pensamento e o empreendedorismo, enquanto silenciavam sobre a violência escancarada e as omissões das elites na fronteira amazônica do capitalismo.
Não é segredo que permanecemos fronteira de riqueza, cobiças e vícios do capital. E essas reflexões à maneira da que nos foi legada por Mello Moraes, de que "em Belém tudo é grande e tudo indica o desenvolvimento daquele povo", ao tempo em que o Pará e Belém representavam faces do mesmo ente, mas não escapes do inevitável espelhamento entre o discurso Belle Époque de Paris n'América e o que de fato foi construído nas sequências entrantes do futuro, hoje misère obligé (criação do poeta José Paulo Paes) constituem para nós, paraenses, um doloroso legado que, confrontado com a degradação experimentada ao longo de um século, representa a apavorante constatação de que a ópera dessas elites se reduz a um drama desvirtuoso, que ofende por onde se escute ou leia aos mais comezinhos princípios do direito e da moralidade pública.
Para remédio que supere essa farsa /farra grotesca, só nos resta chamar a quem nos bastidores sempre esteve; a quem tudo assistiu bestializado e violentado no mato, na senzala e nas atualizados reservas de miséria da capital e do interland paraense: O povo, ou os bárbaros como preferem alguns, pois só ele permitirá reverter essa empreitada de bucaneiros. Como disse a clarividência poética do grego Kaváfis - Sem bárbaros o que será de nós? / Ah! eles eram uma solução.

domingo, 4 de dezembro de 2011

"Bahia A.D.

"Bahia A.D. by Itajai de Albuquerque
"Bahia A.D., a photo by Itajai de Albuquerque on Flickr.

O AD não tem nada de latino: é abreviatura de Alta Definição. Trata-se de um tratamento digital que possibilita a criação de um cromatismo que remete ao realismo fantástico. Os registros originais foram feitos em Salvador-Bahia, de manhã cedo, com um tempo nublado. Logo em seguida garoou.
Então é isto.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

The Time's Files

Dizem que o tempo é curvo e, ao menos aqui, nessa foto, algumas de suas linhas se encontram.

sábado, 19 de novembro de 2011

NOT THIS PIG: A Poesia de Philip Levine



















Philip Levine. Foto de David Shankbone (2006). Creative Commons.


Philip Levine, nascido e criado em Chicago durante a Grande Depressão, é um poeta quer da classe trabalhadora na dimensão de sua universalidade. Foi trabalhador da indústria automobilística, onde chegou a fazer "trabalho estúpido". Bacharel e Mestre em Artes pela Wayne State University, faz uma poesia que é marcada de ceticismo em relação ao American Way of Life e também pela herança dos valores judaicos legados por seus pais.
Seus poemas são como fossem instantâneos que revelam uma teia social contínua e insidiosa que atrai, aprisiona e distancia para uso as pessoas. Como a locomotiva e o narrador do poema que aqui transcrevo, trazido de um de seus primeiros livros publicados - NOT THIS PIG (1968) -, em tradução e com os erros que me pertencem.
Laureadíssimo, Levine recebeu entre outros prêmios o Lenore Marshall Poetry Prize, dois National Book Critics Circle Awards (1980) e o National Book Award in Poetry (1991). É professor da California State University. No Brasil sua obra foi tema da dissertação de mestrado de Vinicius França da Silveira - "A Poesia de Philip Levine: Estudo Seguido de Pequena Antologia Traduzida e Comentada" (Unicamp, 2011).

Em Toledo, Quase Voltando pra Casa

Nós paramos no terraço do bar,
Bebemos e vimos os fazendeiros de sempre.
Com olhares censuravam por trazermos
Conosco um trabalhador grosseiro: Ele
Que do acostamento da estrada
Ria-se, acenava e mijava sobre a neve
A quarenta milhas geladas do lar.

Quando a locomotiva enguiçou
Nos juntamos em círculo.
Apenas nossas respirações
E o som da neve era ouvido.

Depois, noutro tempo, noutra cidade
No segundo dia de um novo ano
Já velho, antes do amanhecer
Nós a encontramos em cores pálidas
Como houvesse caído no sono
E, na sua pobreza abandonada,
Despertasse numa gare de vidro
Sob um teto de madeira barata.

Irmãos e amigos, eu lhes chamei alto
Por vocês algumas esposas
E crianças vieram - faces consoladoras -
e diziam "pai" e "marido".

Vocês nunca responderam.
Sob as estrelas congeladas
Não ouviram naquele velho ano,
O ranger da neve amontoando-se
Nem sentiram o ar zinabre da escória
Reunida a vinte milhas ao Sul de Ecorse.
Vocês que estavam felizes, cansados
E não voltavam para casa.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Exuberância Luminosa de Gaia

Earth | Time Lapse View from Space | Fly Over | Nasa, ISS from Michael König on Vimeo.

Na coluna eletrônica Dot Earth, no The New York Times, Andrew Revkin presenteia-nos com esse belo filme feito há dois meses pelos tripulantes da Estação Espacial Internacional. É um passeio belíssimo sobre nosso planeta, em que observamos a exuberância das luzes de nossa civilização concorrendo com a beleza das auroras boreais e os clarões de trovões sob as nuvens de nossa atmosfera.

Nesses tempos em que nós brasileiros lutamos para que seja garantido o acesso a documentos de Estado, e que nenhum tenha estatuto de eternamente secreto, não posso deixar de registrar que o acesso universal dessas imagens só é possível, porque o Congresso dos EUA em 1958 votou o Space Act (Ato Espacial), onde é estabelecido que a NASA deve comunicar seus achados científicos ao público.

sábado, 12 de novembro de 2011

Ministro da Saúde Dá Entrevista a VEJA

O Passeio do Besouro Entimus

Entimus Beetle in a Bougainville branch by Itajai de Albuquerque
Entimus Beetle in a Bougainville branch, a photo by Itajai de Albuquerque on Flickr.

No finalzinho da tarde desse sábado, brasilianamente ensolarado, quando molhava as plantas na minha sacada, dei com um visitante diferente. Um besourinho que parecia fantasiado para o Carnaval, no tempo em que ainda haviam bailes à fantasia na altura dessa descrição.
Claro que montei a velha Nikon D-40 e fui observá-lo mais de perto. Tratava-se de um besouro bem blasé - ou seria uma besoura? Até fez uma paradinha para tomar quem sabe um pouquinho d'água.
Na internete busquei saber o nome e o sobrenome do visitante, e penso que a identidade se aproxima bastante de um espécime do gênero Entimus. O esclarecimento dessa dúvida caberá aos entomólogos, que acaso por distração dêem uma passadinha aqui, no blog.
O fato é que hoje, no planeta, os besouros estão entre as espécies ameaçadas de extinção. O risco se deve às mudanças provocadas em seu habitat natural, que são as florestas.
Não se sabe ao certo quantas espécies desses insetos existem no mundo, nem tão pouco qual a exata função que desempenham no ecosistema terrestre. Mas que eles teem uma ou algumas nem se pode duvidar! Afinal, falta de evidência científica não significa ausência de evidência. Novas perguntas ou reinquirições são o combustível da ciência.

Que Tal um Gole?