quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Foi o Golfinho, Sinhá

Botos e golfinhos são animais próximos na escala zoológica. Na Amazônia existe a lenda do boto, em que conta-se que esse mamífero assumiria a forma humana e viria a terra em noites de lua cheia, sempre vestido de branco e chapéu (para disfarçar o orifício respiratório sobre a cabeça), no intuito de seduzir jovens consideradas atraentes.
A lenda, como expressão de uma socialização de uma região isolada e periférica, remete às questões relacionadas à gravidez indesejada em comunidades fechadas. Hoje, como anedota, ainda perdura dizer com maldade: Fulano (a) é filho (a) do boto. Aqui, nesse extraordinário filme, vê-se com clareza a atração e o comportamento sexual de um golfinho macho em torno de uma nadadora que , decerto, desconhece a lenda dos botos amazônicos .

domingo, 7 de novembro de 2010

O Olhar Crítico de Chico Cavalcante

























Chico Cavalcante, à esquerda entre os melhores do marketing político na Amazônia, concedeu entrevista este domingo ao jornal Diário do Pará. Em pauta a avaliação da estrondosa derrota da governadora Ana Júlia Carepa (PT/PA), que pleiteava a reeleição, em favor do candidato Simão Jatene (PSDB/PA). Para entendermos melhor a dimensão desse desfecho, cabe recordar que a candidata petista foi eleita em 2006, a partir da derrota do partido neoliberal tucano, que , nessa altura, governava o Pará por 12 anos e pretendia estender seu domínio político pelo menos por mais oito.
Numa sequência de respostas ilustrativas a perguntas formuladas num estilo curto e objetivo, o entrevistado afirma seu domínio teórico-prático da comunicação em política, fato que antes havia já demonstrado em seus livros Marketing de Guerrilha e o Novo Marketing Político. O texto da entrevista considero obrigatório para aqueles que estudam ou teem curiosidade sobre comunicação e marketing aplicados. O conteúdo está acessível clicando-se sobre a imagem que acompanha a postagem, ou aqui: na página do Diário do Pará.

sábado, 6 de novembro de 2010

Passarinhando na Chuva

































Ele é um antigo conhecido. Circula por aí, entre os prédios da quadra onde moro. Há uns dias, contudo, tornou-se mais íntimo e agora pousa nas plantas que mantenho em minha sacada. O local preferido que escolheu é esse galho de Bougainville.
Hoje, afinal, o lambe-lambe aqui conseguiu surpreende-lo com o registro desse quase portrait. Na manhã nublada e chuvosa, sempre arisco ele posou e me disse que agora tem uma companheira. Com sorte qualquer dia eu os fotografo juntos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Nunca É Demais Repor o Demasiado

Por que não te calas? A pergunta foi feita hoje, em França, por um plebeu zapatista a José Serra, candidato derrotado à Presidência da República nas eleições de 2010. A interrupção aconteceu no momento em que o tucano recalcava críticas genéricas contra o presidente Lula, levando Serra a perder a pose de Rei de Roma, de todos os mares, de todos os rios, dos sertões et urbes brasiliensis.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Superbactéria Não Resiste à Higiene das Mãos

Toda essa gente se engana
Então finge que não vê que
Eu nasci pra ser o superbacana
Super-homem, superflit, superfink, superist
(Superbacana. Caetano Veloso, 1968)


No caso da KPC (Klebsiella pneumoniae), o adjetivo de superbactéria tem sido usado com insistência na mídia brasileira. Esse tipo de bactéria produz substância - a enzima Carbapenemase - que lhe permite resistir ao ataque de antibióticos, simplesmente inutilizando-os. Como outros mutantes bacterianos, o surgimento da KPC deriva basicamente do uso não responsável de antibióticos e de medidas de higienização precária nos serviços de saúde. Portanto, é problema que pode ser resolvido de imediato e a médio prazo por meio de conscientização do público, dos profissionais e dos administradores de unidades de saúde, a partir da ação sustentada das vigilâncias sanitárias estaduais (Visas), com o apoio imprescindível das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, que devem sair do papel e valer na prática.
Nesse sentido, embora vivamos em tempos de super-ultra-hiper sei lá o quê, não podemos esquecer que uma das maiores revoluções da Medicina no século XIX foi a descoberta do médico húngaro Semmelweiss, que baseado em observações de enfermaria concluiu que a mortalidade por Febre Puerperal seria reduzida se os obstetras e as parteiras da época lavassem as mãos antes e depois de cada parto, antes e depois de examinar suas pacientes.
A medida consagrada é válida para prevenir qualquer infecção em que o agente causal seja transportado pelas mãos de um ser humano para outro, quer sejam bactérias, os vírus das gripes ou das conjuntivites. Água, sabão e álcool na higiene das mãos e a aplicação correta de protocolos para degermação de materiais e equipamentos bastam para quebrar a transmissão da KPC, demonstrando que a adoção de medidas de higiene evitam e destroem a "famigerada" bactéria sem precisar empregar algum super-raio laser terrível.
Contudo é necessário coibir o uso abusivo e indiscriminado de antibióticos, posto que a indicação incorreta e a administração em sub-doses e em horários equivocados são os principais responsáveis pelo desenvolvimento de resistência bacteriana, aliás um fenômeno representativo da Teoria da Evolução de Darwin. O uso incorreto de antibióticos constitui no Brasil assunto da maior importância, especialmente porque sabemos que a auto-medicação além da influência cultural está relacionada às dificuldades no acesso a cuidados de saúde e na acessibilidade a medicamentos.
Por fim a decisão da Anvisa de disciplinar a compra de antibióticos não deve se limitar ao balcão das farmácias. Na medida em que as farmacias cumpram as normas regulatórias, outras possibilidades à margem surgirão, por meio do comércio ambulante e da internete. É necessário portanto uma ação que discipline e ao mesmo tempo desencoraje e combata o comércio ilegal de antibióticos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dito e Feito

A ciência põe-se de pé sobre ombros de gigantes.

Os Genéricos do Serra: A História Sem Virtudes

O jornal Folha de São Paulo publicou hoje um artigo do físico Rogério César de Cerqueira Leite, que ilumina a origem dos genéricos no Brasil. É uma história pouco virtuosa, em que pese o valor imprescindível desse tipo de medicamentos para a saúde do povo brasileiro.

Genéricos e Outros Mistérios

Rogério César de Cerqueira Leite

Considero eminentemente pífia a atuação de Serra no Ministério da Saúde; seus genéricos pouco têm a ver com aqueles que planejamos

Como consequência da Guerra das Malvinas, quando a Argentina, por ter abdicado da produção própria de fármacos, ficou desabastecida de medicamentos, o governo militar brasileiro aprovou um programa, por mim proposto, de desenvolvimento dos princípios ativos (fármacos) dos 350 remédios constituintes da farmácia básica nacional.

Estimava-se que, em dez anos, seria possível desenvolver, por engenharia reversa, pelo menos 90% desses produtos. De fato, em pouco mais de três anos, cerca de 80 processos já haviam sido desenvolvidos e 20 produtos já estavam sendo produzidos e comercializados por empresas brasileiras.

O sucesso inicial desse projeto permitiu que fosse iniciada por mim, nesta Folha, uma campanha de esclarecimento sobre medicamentos genéricos, o que não teria sentido sem a produção própria de fármacos.

Precipitadamente, o governo Itamar Franco tentou lançar a produção de genéricos. O poderoso cartel de multinacionais de medicamentos se insurgiu. Ameaçou-nos de desabastecimento, de verdadeira guerra. Derrotou e humilhou o Ministério da Saúde.

Poucos anos depois, esse cartel não somente cedeu prazerosamente ao ministro José Serra, então na pasta da Saúde, como até fez dele seu "homem do ano".

Seria o costumeiro charme do ministro? Seu sorriso cândido? Senão, qual o mistério?

Como consequência da isenção de impostos de importação para o setor de química fina, da infame lei de patentes e de outras obscenidades perpetradas pela administração FHC, mais de mil unidades de produção no setor de química fina, dentre as quais cerca de 250 relativas a fármacos, foram extintas.

Além do mais, cerca de 400 novos projetos foram interrompidos.

Os dados foram extraídos de boletim da Associação Brasileira de Indústria da Química Fina. Em poucos anos, o deficit da balança de pagamentos para o setor saltou de US$ 400 milhões para US$ 7 bilhões. Quem acha que, com isso, Serra não merece o título de homem do ano das multinacionais de medicamentos?

Também os "empresários" brasileiros do setor de genéricos têm muito a agradecer ao ex-ministro da Saúde, pelas suas margens de lucro leoninas. Basta ver os imensos descontos oferecidos por quase todas as farmácias, que com frequência chegam a 50%. Os genéricos do Serra nada têm a ver com os genéricos que planejamos.

E o tão aclamado programa de Aids do Serra? É compreensível que todos os seres humanos, e talvez também o ministro Serra, tenham se comovido profundamente com a súbita e aterrorizante explosão da Aids. Que oportunidade sem par para políticos demagógicos!

A ONU homenageou o então ministro Serra pelo mais completo e dispendioso programa de apoio aos doentes de Aids de todo o planeta.

Países ricos, com PIB per capita dez vezes maiores que o nosso, ficavam muito aquém do Brasil. Como foi possível? E por que será que, nesse mesmo período, os recursos orçamentários destinados ao saneamento básico não foram usados?

O então dispendioso tratamento de um único doente de Aids correspondia à supressão de recursos para saneamento básico que salvariam centenas de crianças de doenças endêmicas, com base em uma avaliação preliminar. Será que Serra desviou recursos do saneamento básico? Mistério!

Mas persiste o fato de que, durante a administração Serra na Saúde, os recursos destinados ao saneamento, à época atribuídos a esse ministério, não foram aplicados.

Mesmo sem contar mistérios como aqueles dos "sanguessugas" e da supressão do combate à dengue no Rio, entre outros, considero pífia, eminentemente pífia, a atuação de Serra no Ministério da Saúde.

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 79, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Soberania da Clínica

O The American Journal of Medicine deste mês (vol. 23, n.10, outubro, 2010) traz um interessante estudo de acurácia da ausculta cardíaca. O autor, clínico do Centro Médico de Atendimento a Veteranos da Universidade de Washington, em Seattle, examinou 379 pacientes e concluiu que apesar da ausculta cardíaca ser pouco explorada em suas potencialidades nos dias de hoje, seu valor semiotécnico ainda é apreciável na prática médica. A leitura do artigo permitiu-me que relembrasse meus tempos de estudante de Propedêutica Médica na Universidade Federal do Pará, quando fui aluno da notável Profa. Bettina Ferro de Souza. Muito do que o artigo diz, a saudosa mestra já ressaltava trinta anos atrás. Para ler o estudo completo do doutor Steve McGee clique aqui.

domingo, 24 de outubro de 2010

Os Neoliberais e o Tamanho do Estado Brasileiro

Os jornais que apoiam a candidatura de José Serra (Psdb) à sucessão do presidente Lula falam uma meia verdade, quando afirmam ter havido um aumento do tamanho do estado brasileiro na gestão petista. Na verdade, quando recebeu o governo de FHC (Psdb), Lula viu-se diante de uma máquina pública que era um faz-de-conta: o estado desempenhava suas funções a partir de terceirizados que faziam as vezes de funcionários públicos federais. Para sanear o governo federal de tal ilegalidade, denunciada sucessiva e exaustivamente pelo Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal, foram realizados centenas de concursos públicos com o objetivo de recompor a força de trabalho deliberadamente diminuída nos anos 1995-2002. É o que demonstra o gráfico procedente da dissertação de mestrado de Luciane Galdino Alberto (Análise do Quadro de Trabalhadores do Ministério da Saúde e Entidades Vinculadas no Ano 2000. Fiocruz, março 2010).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Medicina Forense Recebe Recursos de Pesquisa

Um inseto é mais complexo que um poema
Não tem autor
Move-o uma obscura energia
Um inseto é mais complexo que uma hidrelétrica
(Ferreira Gullar)

A pesquisa em Medicina Forense ainda é área muito pouco explorada no Brasil. Contudo, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) financia estudo conduzido pelo Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que pretende estudar insetos de interesse para o esclarecimento de crimes, visto que estudos publicados na literatura internacional trazem evidências robustas quanto a importância deles, para esclarecer informações quanto ao local da ocorrência de um crime, a causa mortis e a presença de substâncias tóxicas na vítima. O primeiro produto da pesquisa foi a realização do censo faunístico desses insetos no estao de São Paulo. Maiores detalhes sobre a pesquisa financiada pela Fapesp poderão ser lidos na página da agência de financiamento.