terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pará: Obras Científicas Roubadas

Tem sido freqüente a rapina sobre o patrimônio artístico e cultural brasileiro. E ao contrário do que costumamos assistir nos filmes, esse tipo de crime é praticado de forma quase artesanal, pois estimulam a ação a nossa quase indigência de sistemas eletrônicos de segurança que protejam essas obras. O roubo em regra é destinado ao mercado subterrâneo internacional de arte para atender a colecionadores inescrupulosos.
Justiça se faça as polícias não tem dado sossego aos aliciadores, gatunos e receptadores. A ponto de alguns produtos da ação criminosa serem vendidos em mercados de pulgas, quando então são recuperados. As autoridades também tem buscado parceria com agentes do mercado de arte atualizando à leiloeiros, antiquários, sebos e galerias de arte quanto aos roubos ocorridos, prevenindo-os quanto a serem procurados para comerciar as obras subtraídas ao alheio ou ao patrimônio público.
Nessa linha de atender a inadiável requisição de proteger o patrimônio público brasileiro, em 2007 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (Ministério da Cultura) publicou a Instrução Normativa no. 1 que dispõe sobre o cadastro especial dos negociantes de antiguidades, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros, que obriga aos cadastrados prestar ao orgão e ao público todas as informações concernentes ao bem comerciável, especialmente no que diz respeito a procedência idônea.
Nada disso contudo tem dissuadido a pilhagem. Na semana passada, em Belém do Pará, a biblioteca do Museu Paraense Emílio Goeldi foi assaltada, retirando-se de seu riquíssimo acervo de obras raras os fólios de Spix e Martius, Meriaen, Hernandez, Piso, Pohl, de Murs, Wied-Neuwied, entre outros livros roubados de autoria de viajantes naturalistas. Essas absolutas raridades bibliográficas representam a história do pensamento científico na Amazônia e no Brasil, todas com informações preciosas sobre botânica, zoologia e medicina, como é o caso da Indiae Utriusque Re Naturali et Medica (1658) de Guilherme Piso, cuja página de rosto por sí é uma obra prima de arte tipográfica. Um exemplar perfeito dessa obra alcança no mercado internacional valores tão altos quanto U$15,000,00, e por essa estimativa bem podemos avaliar o tamanho do prejuízo financeiro que os ladrões impuseram ao MPEG.

2 comentários:

morenocris disse...

Feliz Natal, Itajaí e família.

Beijos.

Itajaí de Albuquerque disse...

Para vocês também, Cris e família.
Bjs.